Basílica do Carmo:

História de fé no coração de Campinas

 

José Pedro Soares Martins

 

Campinas, Ed.Komedi, 2010

 

 

Apresentação

Introdução

Síntese Introdutória

Primeira Parte

Antecedentes da Paróquia de N.Sra.do Carmo

Fase I

Primórdios da criação da Freguesia

1730-1774

Fase II

Instalação da Paróquia N.Sra.da Conceição

1774-1779

Fase III

Paróquia de N.Sra.da Conceição até a divisão e criação da Paróquia de Sta.Cruz do Carmo

1779-1870

Segunda Parte

Paróquia N.Sra.do Carmo

Fase IV

Paróquia e Matriz Sta.Cruz do Carmo

1870-1938

Fase V

Matriz e Basílica N.Sra.do Carmo

(desde 1939)

1939-2000

Fase VI

Transição para o Terceiro Milênio

2000 - e o futuro...

 

PARTE I

Antecedentes da Paróquia do Carmo

Fase I

Primórdios da criação da Paróquia

A carteira de identidade de Campinas

Pousos de tropeiros no meio do mato grosso

Busca da autonomia e assistência espiritual

Autorização para ereção da capela

Mandado de Comissão ao Vigário de Jundiaí em vista da construção da capela

A fundação de Campinas e da Paróquia (Freguesia) de N.Sra.da Conceição

Barreto Leme, tradição de desbravamento

Frei Antonio de Pádua Teixeira, o co-fundador

Os outros pioneiros da Cidade e da Igreja

Dom Frei Manuel da Ressurreição, atuação decisiva

Fase II

Instalação da Paróquia N.Sra.da Conceição

Largo do Carmo, marco zero de Campinas

Pe. José de Santa Maria Cunha

Inauguração da Matriz

Pe. André da Rocha Abreu

Pe. Manoel Joaquim de Freitas e outros Vigários

Pe. Joaquim José Gomes, a Vila de São Carlos e ideia de nova Matriz

Pe. Fasijó em sua passagem por Campinas

Igreja do Rosário, um marco no centro da cidade

Fase III

Paróquia de N.Sra.da Conceição até a divisão e criação da Paróquia de Sta.Cruz

Pe. Manoel José Ferreira Pinto

Pe. Joaquim Anselmo de Oliveira, crítico da escravidão, enquanto Campinas se torna cidade

Carlos Gomes, a música de Campinas para o mundo

Pe. Dr. João de Almeida Barbosa e o começo da ascensão do café

Primeira visita de Dom Pedro II (1846) e transferência da Matriz para a Igreja do Rosário

Situação do prédio da Matriz Velha

Pe. Antonio Cândido de Mello: novo susto e peste no Paço Municipal

Pe. Joaquim José Vieira, fundador do primeiro hospital de Campinas: a Santa Casa

Polêmica antes da criação da Paróquia de Sta.Cruz

 

Parte II

Paróquia N.Sra.do Carmo

Fase IV

Paróquia e Matriz de Sta.Cruz

Criação e instalação da Paróquia de Sta.Cruz, depois do Carmo

Auto de instalação da Nova Freguesia de Sta.Cruz na cidade de Campinas

Matriz de Sta.Cruz do Carmo na década de ouro do café e seu 1º Pároco

2º Pároco, Côn. Nery, no combate à febre amarela: um novo Bispo

Côn. Scipião, 3º Pároco. Pe. Landell de Moura, o "Pai do Rádio"

Pe. Landell, humildade de um grande cientista

Pe. D'Avila, 4º Pároco de Sta.Cruz do Carmo: Campinas pós febre amarela

Diocese de Campinas, no paroquiato de Côn. Barreto, 5º Pároco do Carmo

Côn. Otávio, 6º Pároco: guerra no mundo, bibliotecas em Campinas

Mons. Ribas D'Avila, 7º Pároco, quando a gripe espanhola assusta Campinas

Côn. Fragoso, 8º Pároco: centenário da Independência e novo Bispo

Côn. Idilio, 9º Pároco: uma nova Matriz, oficialização do nome definitivo da Paróquia do Carmo

Um escultor italo-brasileiro que fez história

Côn. Amaral, 10º Pároco: conclusão da Matriz do Carmo

Lélio Coluccini, o escultor de Campinas

O pintor das igrejas

Fase V

Matriz e Basílica de N.Sra.do Carmo

(desde 1939)

Côn. Aniger, 11º Pároco e o Congresso Eucarístico

Morte de Dom Barreto

Congresso Eucarístico

Côn. Raphael Roldan, 12º Pároco e o final da II Guerra Mundial

Mons. Lázaro, 13º Pároco: pintura e órgão para a Matriz

Vocação para a música

Côn. Geraldo Azevêdo, 14º Pároco: a Matriz se torna "Basílica do Carmo"

Breve papal de criação da Basílica Menor de N.Sra.do Carmo

1. O título de Basílica e o seu significado histórico

Símbolos da Basílica

2. A Igreja nas ondas do rádio e do povo

3. Campanha da Fraternidade

Celebrações

4. Transformações no Carmo

5. Outras Campanhas

6. Doença de Mons. Geraldo

7. Atuação pastoral e administração

8. Tempo de mudanças

Mais um Bispo do Carmo

9. Reestruturação para o futuro

10. Chegada do novo milênio e falecimento de Mons. Geraldo

Fase VI

Basílica no Terceiro Milênio

Côn. Pedro Carlos Cipolini, 15º Pároco: o protagonismo dos leigos e a missão na cidade

1. Comunhão e participação

2. Sólida formação para servir

3. Continuidade do restauro da Basílica, agora Patrimônio Histórico

4. Incentivo à participação e acolhimento: pólo missionário

Olhar para a comunicação

Celebrações emocionantes

5. Aprofundando o planejamento

Datas importantes para a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo

 

 

 

 

Fase V – Matriz e Basílica de N. Sra. do Carmo (desde 1939)

 

CÔNEGO ANIGER - 11o PÁROCO,

E O CONGRESSO EUCARÍSTICO

 

       Após a saída do cônego Borja do Amaral, assumiu a paróquia de Nossa Senhora do Carmo o cônego Aniger Francisco de Maria Melillo, que ficaria no cargo no período de 1940 e 43, quando foi nomeado bispo, como seu antecessor, desta vez para a diocese de Piracicaba.

 

      O Cônego Aniger esteve à frente da futura Basílica do Carmo em um dos períodos mais críticos da história da humanidade, o do auge da II Guerra Mundial. Tempo de muita tristeza e oração pelo fim dos conflitos. A Igreja do Carmo esteve aberta durante praticamente todos os dias, para receber os fiéis nas missas e celebrações especiais.

 

     Aniger Melillo nasceu em Campinas, a 27 de junho de 1911, filho de Vicente Melillo e Regina Morato Melillo, casal de grande destaque na comunidade católica por sua dedicação. Após freqüentar o Seminário Diocesano de Campinas, foi ordenado padre a 31 de dezembro de 1933, na Catedral de Campinas, por d.Francisco de Campos Barreto. Foi vigário cooperador em Piracicaba, antes de ser nomeado coadjutor na paróquia do Carmo de Campinas, onde ficou até 1939, quando retornou a Piracicaba como vigário cooperador na Matriz, depois Catedral.

 

      Titular da paróquia do Carmo em 1940, foi nomeado no ano seguinte Cônego Catedrático do Cabido Metropolitano de Campinas e membro do Tribunal Eclesiástico de Campinas. Por 13 anos ele seria reitor do Seminário Diocesano de Campinas, período em que por ali passaram dezenas de sacerdotes nomeados para as Dioceses de Campinas, Ribeirão Preto, Jaboticabal e Piracicaba.

 

       Em janeiro de 1940, o altar de Nossa Senhora dos Remédios, doado por Joaquim Penteado e sua esposa Vitalina Ferreira Penteado, além de dona Analia Ferreira de Souza Aranha, recebeu as bençãos. Em março de 1941, o Sagrado Coração de Jesus foi entronizado na sala nobre da Matriz.

 

 

 

Morte de Dom Barreto

 

     Um triste acontecimento para a paróquia do Carmo e toda Igreja de Campinas foi a morte de d.Francisco Campos Barreto, a 22 de agosto de 1941. Hipertenso, ele estava com uma forte gripe quando visitou Belo Horizonte, Cidade Ozanan e Nova Lima. Nesta cidade, esteve em uma mina de ouro, tomando contato com altas temperaturas, o que ajudou a debilitar sua saúde.

 

      O bispo regressou a Campinas pela Central do Brasil, fazendo escala em São Paulo, onde tomou a Companhia Paulista. Na viagem manifestou ao auxiliar o desejo de consultar o seu médico, o dr.Manoel Dias da Silva. A consulta aconteceu já em Campinas. O dr.Manoel pediu a presença do dr.Azael Lobo.

 

     O estado de saúde de d.Barreto era muito grave. Os últimos sacramentos foram ministrados com a presença de vários religiosos e do prefeito, Lafayette Álvaro de Souza Camargo, que era um grande filantropo (depois criaria uma fundação, com o seu nome e da esposa, d.Odila de Souza Camargo, que daria origem à Fundação FEAC).

 

      A morte aconteceu às 22h50, a causa mortis foi broncoplegia. “Não tenho medo de morrer, porque espero estar na graça de Deus”, foram as últimas palavras do bispo. A 17 de dezembro de 1941 d.Paulo de Tarso Campos foi nomeado bispo de Campinas, tomando posse a 1o de março de 1942. A sua primeira missa como novo bispo de Campinas foi na Matriz do Carmo.

 

 

 

Congresso Eucarístico

    

      Em 1942, cônego Aniger Melillo presidiu as cerimônias na paróquia do Carmo associadas ao IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em São Paulo, entre dias 4 e 7 de setembro.

 

      No dia 12 de julho de 1942 foi inaugurada em Campinas a Obra da Adoração Perpétua, destinada a promover o culto do Santíssimo Sacramento. Durante o Congresso Eucarístico, foi feito um voto pelo bispo diocesano de construção de Templo Votivo para abrigar o Santíssimo Sacramento, o que ocorreria a 14 de julho de 1967, na rua Regente Feijó, no território da Paróquia do Carmo. Ali se ergueu o Templo Votivo do Santíssimo Sacramento. Sob a responsabilidade das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado até 2001, o templo foi assumido pelos irmãos da Toca de Assis.

 

      Ainda durante o paroquiato do cônego Aniger Melillo na Igreja do Carmo, foi fundada, em 20 de maio de 1941, no território da paróquia, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, embrião da futura Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Também em 1941 foi criado o Dispensário Dom Barreto, homenagem ao ex-bispo de Campinas, que acabara de falecer.

 

     Em 7 de junho de 1941 a Diocese compra, da herdeira Dona Isolete Aranha, o casarão (Palácio Itapura) do barão de Itapura, Joaquim Polycarpo Aranha, na rua Marechal Deodoro, no centro de Campinas, território da Paróquia do Carmo. O casarão era ocupado pelas missionárias de Jesus Crucificado, de madre Maria Villac, e nele foi instalada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, autorizada pelo Conselho Nacional de Educação a 9 de maio de 1944.

 

      O cônego Emílio José Salim havia apresentado ao Conselho Nacional de Educação a autorização para nove cursos: Filosofia, Geografia e História, Letras Neolatinas, Letras Clássicas, Letras Anglo-Germânicas, Matemática, Pedagogia, Ciências Políticas e Ciências Sociais. O título de Universidade Católica de Campinas viria em 1955. O título de Pontifícia foi dado em 1972 pelo Papa Paulo VI.

 

       O ex-titular da paróquia do Carmo, cônego Aniger Melillo, foi nomeado segundo Bispo de Piracicaba a dia 29 de maio de 1960. Um mês depois, ordenado bispo, na Catedral de Campinas, tomando posse na Igreja Catedral de Piracicaba a 15 de agosto do mesmo ano.  Autor de várias obras na diocese de Piracicaba, d.Aniger Melillo foi protagonista de um acontecimento inédito na história da Igreja Católica no Brasil. Ele presidiu a ordenação como padre do próprio pai, Vicente de Paulo Melillo, o que ratificava o histórico de dedicação à Igreja pela família. D. Aniger renunciou a 11 de janeiro de 1984, sendo nomeado bispo emérito de Piracicaba, e faleceu a 17 de abril de 1985, no Instituto do Coração, em São Paulo, tendo sido sepultado na cripta da Catedral de Santo Antônio, em Piracicaba.

 

      Ainda no paroquiato do cônego Aniger, a Escola Paroquial “Comendador Freire” passou a funcionar na Escola São Domingos, das irmãs dominicanas. O prédio onde funcionava a Escola passou a sediar a Congregação Mariana e a Casa Paroquial. 

 

       Após deixar a paróquia do Carmo, o cônego Aniger Melillo foi substituído pelo cônego Raphael Roldan, que ficaria no cargo até 1947, tendo acompanhado, portanto, o final da terrível II Guerra Mundial, acontecimento de impacto impressionante no cenário mundial.

 

 

 

CÔNEGO RAPHAEL ROLDAN - 12o PÁROCO,

E O FINAL DA II GUERRA MUNDIAL

 

      O período em que o cônego Raphael Roldan esteve à frente da paróquia de Nossa Senhora do Carmo, entre 1943 e 1947, foi marcado pelo final da II Guerra Mundial, mas também por enormes transformações urbanísticas e sociais em Campinas, que afetaram a vida de todos, inclusive da própria paróquia.

 

      Neste momento, começavam a ser executadas as obras derivadas do Plano de Melhoramentos Urbanos, conhecido como Plano Prestes Maia, de 1938. Em conseqüência do Plano, destinado a colocar Campinas na sociedade do automóvel, várias ruas e avenidas do centro da cidade foram alargadas, como a Conceição, em 1939, e a Francisco Glicério, em 1941.

 

      As modificações urbanas vieram em alinhamento com o crescimento populacional da cidade, que foi espetacular a partir da década de 1940. A população deu um salto de 134 mil habitantes em 1935 para 152.547 em 1950 e 219.303 em 1960.

 

     Apenas em termos de área ocupada, entre os primórdios do centro urbano em Campinas na década de 1730 até 1945 ela foi de 16 milhões de metros quadrados. E apenas entre 1946 e 1954 a área ocupada subiu para 53,6 milhões de metros quadrados, ou mais de três vezes o espaço ocupado em 170 anos de história da cidade.

 

       O paroquiato do cônego Roldan sentiu os efeitos desse processo, em que a Igreja tinha que se preparar, cada vez mais, para uma comunidade de fiéis vivendo na zona urbana.

 

     A posse do novo pároco aconteceu a 4 de julho de 1943. A paróquia já tinha um novo coadjutor, padre Alfredo da Fonseca Rodrigues, que substituiu ao padre Lino Rodrigues.

 

      Em 15 de janeiro de 1944 a matriz sediou a missa de corpo presente de Monsenhor Manoel Ribas d´Ávila, que tinha sido pároco do Carmo. O enterro foi no cemitério da Venerável Ordem Terceira do Carmo. A mesma Ordem Terceira do Carmo que teve aprovados os seus novos estatutos, a 29 de fevereiro de 1944.

 

      A 30 de março de 1944 foi entronizada a imagem de Jesus Crucificado no corredor principal da Escola Normal Carlos Gomes, uma das mais importantes instituições de ensino da história de Campinas e situada na paróquia do Carmo. Também houve uma entronização no Grupo Escolar “D.Castorina Carvalhaes”.      

 

       Em maio deu-se a instalação definitiva, em sede própria na rua Dr.Quirino, da Cruzada das Senhoras Católicas e de um dos departamentos do Dispensário D.Barreto, em território da Paróquia do Carmo. O prédio da Cruzada seria utilizado ao longo do tempo por várias organizações, abrigando por exemplo, desde a década de 1990, a sede de SOS Ação Mulher, entidade dedicada a  proteger mulheres vítimas de maus-tratos.

 

      Entre 4 e 11 de junho de 1944 houve o 1o Congresso Eucarístico Regional, em Piracicaba, preparatório ao Congresso Eucarístico Provincial, de Campinas, que aconteceria em 1946. Outros Congressos Eucarísticos Regionais aconteceriam em Amparo (setembro de 44), Pirassununga (maio de 45), Mogi Mirim (julho de 1945) e Rio Claro (setembro de 1945).

 

      A 13 de junho a nova imagem de Santo Antônio foi benzida. Em 22 de julho, nova entronização de Jesus Crucificado, no Grupo Escolar “Correia de Mello”, sempre com a participação do pároco do Carmo. Em setembro, a paróquia contribuiu com a coleta em Campinas em benefício das vítimas da guerra.

 

        Ainda em 1944 a Pia União das Filhas de Maria completou 25 anos de atividades. Houve cerimônia no Salão Nobre das Faculdades Católicas, depois PUC-Campinas. No mesmo ano foram colocados vitrais na Matriz do Carmo. São vitrais de origem alemã, comprados pela Casa Conrado e que foram confeccionados com a técnica conhecida como grisaille - pintura monocromática em cinza, dando a ilusão de relevo. Depois de instalados, e nunca tendo passado por manutenção, os vitrais começaram a cair, ate que fossem restaurados, no inicio do século 21, por iniciativa do pároco, Cônego dr.Pedro Cipolini.

 

      A 10 de maio de 1945 a paróquia do Carmo e toda Campinas participaram da missa campal, no Largo da Catedral, pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Missa comTe Deum, presidida por d.Paulo de Tarso Campos, terceiro bispo de Campinas. Em julho a sede da Federação Mariana Feminina foi inaugurada na rua Regente Feijó, onde se acha ate hoje. No mesmo mês, mais de 60 mil pessoas participaram da volta de 40 expedicionários campineiros que lutaram na Itália. Nova missa campal no Largo da Catedral.

 

      Em 24 de julho de 1945, no Centro de Cultura Intelectual, situado na rua Barão de Jaguara, foi instalada a junta regional da Liga Eleitoral Católica, liderada por dr.Carlos Foot Guimarães, Celso Maria de Melo Pupo, dr.João de Souza Coelho e Pedro Siqueira. Lideranças locais que participaram, depois, da criação da Fundação Odila e Lafayette Álvaro (1958) e Fundação FEAC (1964).

 

      Em 25 de janeiro de 1946 foi realizada a cerimônia de formatura da primeira turma de licenciados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras das Faculdades Católicas. Solenidade no Solar do Barão de Itapura, no território da Paróquia do Carmo.  

 

     A 12 de abril de 1946 foi lavrada a escritura da Casa Paroquial da paróquia do Carmo, na rua Dr.Quirino, 1521.

 

     A paróquia, assim como todas as outras da diocese, estaria integralmente mobilizada no 1o Congresso Eucarístico Provincial de Campinas, realizado em agosto de 1946.

 

      1947 começou com a expectativa das eleições que seriam realizadas a 19 de janeiro. Em 9 e 17 de janeiro foram realizadas reuniões da Liga Eleitoral Católica, em vários espaços situados na paróquia do Carmo, quando foi ratificada a posição de proibição de votação no Partido Comunista Brasileiro e no Partido Social Progressista e, portanto, no seu candidato a governador do estado, Ademar de Barros. Mas ele acabou sendo eleito, ficando no cargo até junho de 1951.

 

      Também em 1947 o bispo d.Paulo de Tarso foi nomeado reitor da Universidade Católica de São Paulo. E nesse ano, a 13 de julho, com a saída do Cônego Roldan, tomou posse o novo titular da Paróquia do Carmo, o cônego Lázaro Mutschele.

 

 

 

MONSENHOR LÁZARO - 13o PÁROCO:

 PINTURA E ÓRGÃO PARA A MATRIZ

 

       O cônego Raphael Roldan foi substituído pelo Cônego Lázaro Mutschele na paróquia de Nossa Senhora do Carmo, onde permaneceu entre 1947 e 1963. Ele vinha da Paroquia Nossa Senhora das Dores, no Cambuí, onde fora pároco.

 

      Nascido a 2 de fevereiro de 1910 e tendo sido ordenado a 2 4 de setembro de 1932, o monsenhor Lázaro Mutschele foi secretário do bispado, além de pároco do Carmo e de Nossa Senhora das Dores, em Campinas, foi anteriormente coadjutor da Catedral de Campinas e pároco em Leme, Capivari, e Nossa Senhora de Brotas de Lindóia.

 

      Seu paroquiato no Carmo foi no período em que as transformações urbanísticas e populacionais, iniciadas na década de 1940, se acentuaram em todo país, com reflexos diretos em Campinas e outras grandes cidades brasileiras. Cônego Lázaro teve um paroquiato de destaque, quando, por exemplo, foi promovida uma completa pintura interna da Matriz.

 

      Também foi nesse período que a Matriz do Carmo recebeu aquele que seria um dos principais instrumentos musicais de seu tipo no Brasil, um órgão Tamburini de tubos. A instalação aconteceu em 1952, e no início do século 21 o órgão ainda é o instrumento de maior recurso harmônico e melódico instalado em Campinas.

 

      O órgão chegou ao porto de Santos em 26 de julho de 1952. A 13 de dezembro o bispo d.Paulo de Tarso abençoou o órgão, durante o primeiro concerto, com o professor Ângelo  Camin, professor da Universidade Católica de São Paulo, com participação do Coral Pio XI.        

 

      Com dois teclados e aproximadamente 24 registros, o instrumento emite 24 timbres diferentes, que podem ser usados sozinhos ou combinados entre si. Possui ainda 1335 tubos e 32 pedaleiras.

 

     Muito comum em catedrais na Europa, o órgão Tamburini da Basílica do Carmo é original da fábrica da família do mesmo nome, de Crema, na Itália. Até a década de 1960, por ocasião das renovações promovidas pelo Concílio Vaticano II, órgãos como o Tamburini da Basílica do Carmo tinham papel central nas missas e demais celebrações, pois era praticamente neles que o canto na liturgia era centrado.  

 

      O órgão do Carmo seria utilizado por músicos importantes, como o padre José de Almeida Penalva, nascido em Campinas em 15 de maio de 1924 e que realizou uma grande obra pianística. Foram catalogadas 168 obras do padre compositor, que iniciou sua carreira na cidade natal, tendo tido o Tamburini do Carmo papel relevante na sua trajetória. Foi aluno de grandes mestres como Damiano Cozzella e Savino de Benedictis. Na Academia Santa Cecília, de Roma, estudou com Boris Porena. O padre Penalva foi o fundador da Sociedade Pró-Música de Curitiba, onde faleceu, em 20 de outubro de 2002.  

 

    O órgão passou por grande reforma em 1991, como fruto de um donativo feito pela Secretaria Municipal de Cultura de Campinas. Completamente restaurado, o órgão foi utilizado, a 12 de abril de 2000, em um grande concerto de Dorotea Kerr, uma das maiores organistas do Brasil.

 

 

VOCAÇÃO PARA A MÚSICA

 

    Adquirido pelo monsenhor Lázaro, o órgão Tamburini do Carmo reforçou a vocação para a música erudita da Igreja, onde foi batizado o maestro Carlos Gomes. Vários concertos e recitais passaram a ser sediados na Igreja, com grande afluência de público nas décadas seguintes. Um Coral da Basílica, dirigido pelo maestro Mário Scolari, e o Coral Nossa Senhora de Fátima, passaram a atuar na Igreja, sempre com grande presença de público.

 

    No encerramento do mês de maio 1978, dia 31, às 20 hs, houve entrega de flores e apresentação do Coral "Cecilia Coppo". A 23 de novembro de 1980 uma missa cantada, com o tenor internacional Cezar D`Otaviano.

 

    Em junho de 1991 a Basílica foi palco de bela apresentação do Grupo Música Rara, com peças de Mozart, Bach e Georg Philipp Telemann. Participação de Abel Vargas (viola gamba), Bernardo Toledo Piza (flauta doce e transversal barroca), Edmund Raas (flauta transversal barroca), Maria Inês Toledo Piza (oboé barroco), Meca Vargas (violino barroco) e Sérgio Carvalho (cravo). 

     

 

 

     A música teve grande papel durante o paroquiato do monsenhor Lázaro.  Desde a sua posse, ex-alunos de seminários e outros moços passaram a cantar no Coral Pio XI, nas missas das 11 horas de domingos e nos dias santos.

 

      A cultura esteve, de fato, em alta no paroquiato. No segundo semestre de 1948 o pintor italiano Gaetano Miani, muito reconhecido em Milão, iniciou a pintura da Matriz do Carmo. Um dos artistas italianos vindos ao Brasil na década de 1940 a convite do empresário Ciccillo (Francisco Matarazzo Sobrinho) Matarazzo, o impressionista Miani, nascido em Troina, na Sicília, deixou várias obras no país, incluindo diversos afrescos na Matriz do Carmo. Benedito Calixto de Jesus Neto, neto do famoso pintor Benedito Calixto de Jesus (1853-1927), autor do projeto da Basílica Nacional de Aparecida, ajudou no projeto da pintura da Matriz do Carmo de Campinas. 

 

      Em 1949, a paróquia do Carmo tinha um novo vigário cooperador, o padre Eufrosino Tomasi. Em maio desse ano começou a transmissão, pela PRC-9, da missa de 11 horas de domingo, inaugurando uma tradição da Igreja do Carmo – que havia sido paróquia do considerado “Inventor do rádio”, padre Landell de Moura.

 

     Novo cooperador a partir de fevereiro de 1950, com o padre Euclides Sena. Nesse ano começou a funcionar o grupo de homens que se reunia na rua José Paulino, na casa de Domingos Landin. Também foi inaugurada a tradição da procissão de velas, saindo da Matriz do Carmo até a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na Santa Casa.

 

      Vários paroquianos do Carmo, e o próprio monsenhor Lázaro, participariam em julho de 1950 de uma viagem a Roma, conhecida como Peregrinação Paulista Carmelitana. Os paroquianos participaram do Jubileu do Ano Santo. Depois foram a Fátima, Lourdes e passaram por Pompéia, Assis, Pádua. A volta, de navio, foi em setembro, com chegada em Santos no dia 14. 

 

     Uma data especial para o monsenhor Lázaro foi 27 de dezembro de 1950, quando ele participou do Jubileu de Ouro de ordenação do monsenhor Manoel Francisco Rosa, atuante em Piracicaba. Há 40 anos monsenhor Rosa tinha dado a primeira comunhão ao Cônego Lázaro e o enviou ao seminário.

 

    Em 1951 a paróquia do Carmo tinha um novo cooperador, padre Glauco do Prado Nogueira. Ele foi o auxiliar do Cônego Lázaro na recepção, a 13 de maio, da imagem de Nossa Senhora do Carmo, vinda do Recife (PE) e em peregrinação por várias cidades brasileiras. Mais de 10 mil pessoas receberam o escapulário na Matriz do Carmo, durante a passagem de Nossa Senhora. Em julho já havia um novo vigário cooperador, padre Mário Z. Pasotto. Em agosto começava a demolição da antiga casa, para reconstrução da nova Casa Paroquial na rua Dr.Quirino. Ficou pronta em fevereiro de 1953, com projeto e construção por Rubens Duarte Segurado e Roberto Cantusio. A benção foi em março, pelo bispo.

 

     Também em fevereiro de 1953 a paróquia do Carmo recepcionou a imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrina, em viagem pelo mundo desde Portugal. Chegou em Campinas a 12 de fevereiro. Mesmo sob muita chuva, uma procissão encerrada na Igreja do Carmo teve a participação de milhares de fiéis. 

 

      Em abril de 1953 o Instituto da Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado comemorou 25 anos de fundação. A obra tinha nascido na paróquia do Carmo. Durante este Jubileu de Prata, desenvolveram-se na Matriz do Carmo grandes celebrações.

 

     A 4 de novembro foi aberta outra tradição, da missa pelos falecidos, na capela de São Miguel e Almas. A capela, totalmente restaurada, esta situada hoje no Cemitério da Saudade e que continua com a celebração pelas almas todas as segundas-feiras.

 

      A 11 de dezembro de 1953  a matriz sediou a missa de jubileu de formatura do renomado oftalmologista dr.João Penido Burnier, celebrada por d.Paulo de Tarso. 

 

     Em 1954, a 22 de agosto, foi abençoada a pedra fundamental do Templo Votivo do Santíssimo Sacramento na rua Regente Feijó, onde ate então funcionava a Cúria Diocesana. Dois dias depois o Brasil ficaria abalado com a notícia do suicídio do presidente Getúlio Vargas. Uma missa de sétimo dia foi celebrada na matriz a 30 de agosto.

 

     1955 começou com uma notícia triste, da morte a 11 de janeiro de Roberto Tavares Netto, que tinha sido prior da Ordem Terceira do Carmo. Em abril foi nomeado novo vigário cooperador, padre José Narciso Vieira Ehrenberg. Em 19 de março de 1955 o Cônego Lázaro foi nomeado monsenhor.

 

      A 8 de junho o Núncio Apostólico, d. Armando Lombardi, participou da inauguração do Seminário da Imaculada Conceição. A 17 de julho o monsenhor Lázaro participa do 36o Congresso Eucarístico Internacional, no Rio de Janeiro.

 

     Novo auxiliar na paróquia em fevereiro de 1956, com o monsenhor Agostinho Colturato. A 14 de março foi instalada, com cerimônia no Teatro Municipal de Campinas, a Universidade Católica de Campinas, assim reconhecida pelo presidente Nereu Ramos a 19 de dezembro de 1955.  No dia 22 de março de 1956 na Matriz do Carmo aconteceu a primeira missa celebrada pelo novo bispo de Barra do Piraí (RJ) d.Agnelo Rossi.

 

       Em junho de 1956 um grupo de engenheiros de confiança da Igreja concorda com o laudo da Prefeitura, sobre riscos de desabamento da Igreja do Rosário, situada no território da paróquia do Carmo. A demolição foi iniciada nesse mês, para tristeza dos campineiros, que viam um dos símbolos da região central ser derrubado. A 7 de outubro aconteceria o lançamento da pedra fundamental da nova Igreja do Rosário, nas proximidades da Escola de Cadetes, no Jardim Chapadão.

 

     1957 começou com uma ótima notícia, a apresentação do novo presépio do Carmo, confeccionado pela filha de Maria Lígia de Souza Portugal. A 25 de maio o vigário comemorou e presidiu as bodas de ouro de seus pais, Jacob e Carolina Mutschele.

 

     A 2 de junho houve a comemoração dos 50 anos de fundação da Liga do Menino Jesus, criada pelo então vigário do Carmo, Francisco Campos Barreto. Depois, como bispo, d.Barreto criaria a Liga em outras paróquias da diocese. A 28 de agosto falece Laura Ferrão, outra ex-priora da Ordem Terceira do Carmo.

 

     Dois eventos de máxima importância em 1958. A 27 de abril, chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida a Campinas, em trem especial da Companhia Paulista. A 16 de novembro foi criada a Arquidiocese de Campinas, e d.Paulo de Tarso Campos nomeado o primeiro arcebispo metropolitano.

 

     O final de 1958 e início de 1959 foram de muita tristeza na paróquia. No dia 31 de dezembro o senhor Jacob, pai do monsenhor Lázaro, sofreu uma fratura na Casa Paroquial, sofrendo uma embolia que o levou à morte, a 5 de janeiro. A missa de corpo presente foi no Carmo. No dia 6 de janeiro, dia de Reis, houve o enterro em Piracicaba.

 

      “Como transtornou tudo. A vida ficou tão diferente sem ele. Quanta falta me faz. Doze anos em sua companhia. Ele que dirigia a casa, abria a Igreja e diariamente ele era o primeiro a se ajoelhar na mesa eucarística. Quanto me ensinou com a sua fé e com os seus exemplos (...) Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu.Amem”, escreveu o emocionado monsenhor Lázaro, que tinha outros dois irmãos sacerdotes.

 

     Três outras mortes entristeceram a paróquia logo em seguida. A 21 de fevereiro, de dona Adelina Faria Taves, esposa de José Henrique Tavares, que muito ajudou nas obras sociais da paróquia. A 27 de março, do engenheiro Hoche Segurado, muito ligado a d.Barreto. A 1o de abril, de Maria Augusta D´Avila, benfeitora da obra de vocações sacerdotais.

 

     Em 16 de abril de 1959 o trono da Adoração Perpétua da Arquidiocese de Campinas foi transferido para a Matriz do Carmo, porque a Catedral estava em reformas.    

 

    Em 1963, depois de 16 anos, monsenhor Lázaro deixa a paróquia, sendo substituído por pouco tempo por padre Vicente Ramalho Marques de Freitas. Ele deixou o ministério presbiterial realizando um casamento civil que durou pouco tempo. No mesmo ano assumiria a paróquia o cônego, depois monsenhor, Geraldo Azevedo, que deixaria um grande legado na história da paróquia de Nossa Senhora do Carmo de Campinas.

 

      Logo que deixou a paróquia do Carmo, Mons. Lázaro permaneceu afastado do Ministério, tendo, posteriormente, solicitado ao Papa a sua reconciliação com a Igreja. Conseguiu a reconciliação com penitência de 3 anos, após o que se tornou reabilitado para o exercício do Ministério. Faleceu como capelão da Casa dos Velhinhos de Piracicaba, a 14 de julho de 1985, aos 75 anos de idade.

 

 

 

 

 

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