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Dom Pedro Carlos Cipolini

Homilia na Missa de Tomada de Posse

 Catedral de Amparo

24/10/2010

 

Introdução

Em nome de Jesus venho até vós como Pastor e Pai na fé, desta querida Igreja de Amparo. Mais que tomar posse da Diocese é a Diocese que hoje toma posse de seu Bispo, seu Pastor-Servidor. Fiz questão de tirar meus sapatos e entrar descalço na Catedral, igreja-mãe, que simboliza toda a Diocese. Diocese que é para o Bispo a Terra Santa, na qual, como Moisés, o bispo tem de contemplar a sarça ardente do Mistério de Deus, e caminhar com seu Povo pelo deserto da vida, como se visse o invisível: caminhar na escuridão luminosa da fé! Hoje eu entrei na Minha Terra Santa: a Diocese de Amparo. Bendito seja Deus que nos seus desígnios insondáveis me escolheu e até aqui me conduziu! Ao papa Bento XVI que me confirmou e enviou para cumprir esta missão declaro meu respeito e gratidão. Povo de Deus desta igreja particular, eu vos abraço, acolho como meus filhos e filhas. Acolho com fraternidade e respeito  todos e cada um dos presentes, os que são de nossa Diocese e vieram dos vários municípios que a compõem: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Itapira, Jaguariúna, Lindóia, Mogi-Mirim, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Santo Antônio de Posse e Serra Negra. Saúdo as pessoas vindas de outras dioceses, em particular de Campinas e, em especial, da Paróquia de N. Sra. do Carmo, onde trabalhei por último e que me presentearam com um carro. Saúdo e agradeço a presença do Exmº  Sr. Arcebispo de Campinas D. Bruno Gamberini, nosso metropolita e os bispos presentes. Saúdo em especial o Sr. D. Francisco José Zugliani, Bispo Emérito e o clero diocesano de Amparo. Não só saúdo, mas acolho cada um de vocês, padres, religiosos e religiosas, seminaristas e todos os consagrados, os leigos e leigas. Quero saudar as autoridades do poder Legislativo, Judiciário, Executivo e Militar. Na pessoa do Sr. Prefeito desta nobre cidade de Amparo, Dr. Paulo Turato  Miotta, saúdo  todas as autoridades que nos honram com sua presença. E, por fim, saúdo minha família aqui presente em especial meu pai João e minha mãe Alzira.

 

Venho em nome de Jesus (Cl 3,17), dado que a função do bispo é ser embaixador de Cristo, agindo em seu nome como sucessor dos Apóstolos a quem Cristo disse: “Quem vos recebe, a mim recebe, quem recebe aquele que eu enviar a mim recebe (Jo 13,20); “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou” (Jo 10,16). Agradeço esta recepção calorosa que estão me proporcionando desde ontem, quando iniciamos a vigília de oração em Mogi-Mirim, na matriz de S. José. Vejo tudo isso como sinal da grande fé de vocês em Jesus, pois é em nome Dele que eu venho, para ser sacramento Dele como bom Pastor no meio de vós. 

 

Palavra de Deus das Leituras de hoje

A Palavra de Deus da segunda leitura que ouvimos nos adverte: “Lembra-te de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos” (2Tm 2,8). É Jesus o centro de nossa fé. Ele é o senhor da Igreja, a qual tem como missão anunciar o mistério Pascal. Diante Dele a Igreja clama sem cessar, como o publicano do Evangelho: “Senhor, tende piedade de mim que sou pecador” (Lc 18,13). Esta não só é uma súplica, mas é uma profissão de fé no senhorio de Jesus e em seu poder redentor, que nos pode dar a vida em plenitude. A misericórdia de Deus sempre alcança o pecador, se ele se dispuser a receber o perdão com humildade. Na sua liturgia, a Igreja reunida em torno do seu Bispo não se cansa de suplicar misericórdia a Jesus que é Caminho, Verdade e Vida! Nós, cristãos, sabemos que Jesus venceu o mal. A sua causa pode perder no varejo, mas ganha no atacado. A última palavra será da vida que vence a morte provocada pelo pecado. Jesus Ressuscitado é vencedor, é o Senhor da História (Ap 19,6).

 

Missão do Bispo

O Bispo é sucessor dos apóstolos por vontade divina, ensina o Concílio Vaticano II (LG 18). Recebe do próprio Cristo o poder sagrado para exercer o serviço de Pai e Pastor de sua Igreja, para ajudar a todos na busca da santidade e salvação. O bispo é consagrado por Deus para consagrar-se aos outros, dirigindo a Igreja da qual foi constituído Mestre, Sacerdote e Pastor como ministro do governo em nome de Jesus Cristo (LG 20). Santo Inácio de Antioquia recomenda que nada seja realizado sem o Bispo, o qual é na sua Igreja a imagem de Deus Pai (cf. Ad Tralianos 3,1). Em virtude da ordenação episcopal, a pessoa ordenada passa por essa intervenção especial do Espírito Santo, uma transformação ontológica, no ser e no agir, recebendo uma nova identidade eclesial: a identidade episcopal que é ministério da capitalidade: ser imagem viva de Cristo Cabeça do corpo que é sua Igreja. Onde está o Bispo está a Igreja! Sei que dificilmente agradarei a todos, mas farei o possível para cumprir minha missão, reservando a todos um lugar em meu coração. Bispo do Amparo já diz tudo sobre minha missão: ser amparo para todos, ser pai e pastor para todos. A paternidade e o pastoreio precisam ser exercidos com carinho e suavidade, mas também com fortaleza e vigor. Por isso espero que me ajudem a cumprir minha missão, rezando e compreendendo-me, a fim de que eu seja o bispo bom e justo que todos esperam.

 

A escolha do bispo é um mistério que a Deus pertence: “Não fostes vós que me escolhestes, eu é que vos escolhi e vos designei” (Jo 15,16). Foi no dia 06 de julho que fiquei sabendo de minha escolha para ser bispo de Amparo e o anúncio foi feito dia 14, aqui nesta catedral, dia no qual enviei uma mensagem à Diocese. Desde então tenho me preparado para o dia de hoje. Mas, enfim, qual é a tarefa fundamental do bispo? A palavra bispo vem do grego epíscopo = aquele que vê do alto, que supervisiona a comunidade para que ela se mantenha unida. A unidade da Igreja está confiada ao Bispo, por isso ele usa o anel. O Bispo é o guardião da unidade da sua Igreja com Jesus Cristo.  Compete ao bispo vigiar sobre a direção, o rumo que toma  a Diocese, ver se o caminho é evangélico, se  aquilo que está sendo feito é de acordo com o Evangelho, se corresponde às bem-aventuranças, se as comunidades e as pastorais estão crescendo na fé e na caridade, se a vitória do bem sobre o mal está se dando segundo o espírito de Jesus ou o espírito do mundo... O bispo faz o discernimento dos carismas e distribui as funções na Igreja.

 

A Igreja deve ser casa e escola de comunhão

“Que todos sejam um, ó Pai, para que o mundo creia” (Jo 17,20). Este é o clamor pela unidade brotado dos lábios de Jesus horas antes de morrer. A Igreja deve ser casa e escola de comunhão (cf. João Paulo II, NMI n. 43), para que o mundo creia. Quem fere a comunhão impede o crescimento da fé. Cada Diocese, cada comunidade tem uma caminhada diferente, mas todas devem caminhar na comunhão-participação, na comunhão-missão, assim como os dois movimentos do coração (sístole e diástole). Somos chamados a construir e animar comunidades de fé e vida, sustentadas pela Palavra e os Sacramentos, comunidades que testemunhem ao mundo o amor de Cristo. Este é o profetismo da Igreja hoje (LG 12). Ao bispo compete zelar para que o amor de Cristo vença sempre, porque sem amor não há comunhão e sem comunhão não há Igreja. E que o Bispo vigie também para que sua Igreja seja uma Igreja que reza, porque sem oração não existe cristianismo.

 

Opção Pastoral

Muitos de vocês tem se perguntado: Qual linha pastoral vai ser adotada pelo novo bispo? Respondo: quero adotar a pastoral de Jesus! No alto desta bela Catedral, bem na frente há uma estátua de Jesus Cristo que sinaliza todo um programa de pastoral que desejaria fosse desenvolvido por nós. É Jesus Redentor segurando num dos braços a cruz, síntese de tudo o que ele ensinou e que precisamos ouvir e meditar. Ele convida a sermos uma Igreja de discípulos batizados, que se alimenta do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia. Com o outro braço levantado, Ele nos indica os caminhos do mundo que devemos percorrer como missionários. Igreja de discípulos e discípulas que se fazem missionários: eis nossa tarefa pastoral. O grande farol a nos iluminar é o Concílio Vaticano II (cf. João Paulo II, in NMI n. 57) e o Documento de Aparecida, este, entregue à Igreja da América Latina pelos bispos do Continente e pelo Santo Padre o Papa. É este  o caminho da pastoral de nossa Igreja: ser Igreja discípula e missionária. Na página 03 do Calendário da Diocese de Amparo deste ano, está escrito o objetivo da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, baseado no Documento de Aparecida e assumido pela CNBB. Está ali porque foi assumido pela Igreja de Amparo; com ela também o assumo neste momento: “Evangelizar, a partir do encontro com Jesus Cristo, como discípulos e missionários, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando da construção de uma sociedade justa e solidária, para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

 

Igreja Discípula

A grande obra de Jesus é chamar à vida comunitária, construir comunidade à imagem do convívio com a Trindade. Vem e segue-me! Seguir Jesus é ouvir sua palavra e ir atrás dele, depositando nele uma confiança total. Quando professamos nossa fé dizendo “Tu és o Filho de Deus” (Mc 8,29), Jesus responde para cada um de nós: “E você pelo batismo, é uma pedra viva no edifício de minha Igreja” (1Pr 2,5). O que decide nossa vida cristã não são belas idéias, mas a experiência de nosso encontro pessoal com Jesus, para conhecer sua pessoa, estar com Ele, depois  anunciá-lo. Discípulo é o que aceita a lei fundamental do Reino de Deus, que é a lei do amor-serviço. Você é discípulo quando aceita que o centro da sua vida não é você mesmo, mas os outros. Discípulo é quem sai do egoísmo para viver no amor-serviço. Somente quem assim se faz discípulo poderá ser missionário. Temos que admitir que a chave da vida pastoral da Igreja está na espiritualidade, e não só na eficiência organizativa das instituições e da pastoral. É a mística que constitui a alma, que anima a pastoral. Vamos partir de Jesus Cristo, começar dele, indo ao essencial. A paróquia permanece tendo seu valor reconhecido. É chamada a ser comunidade de comunidades, por isso a formação de comunidades será sempre uma prioridade, além da prioridade da família, catequese, juventude e pastorais sociais.

 

Igreja Missionária

Somos chamados a ser uma Igreja missionária em meio a desafios significativos como o enfraquecimento da vida cristã, o indiferentismo, secularismo, a cultura de morte que dá sinais através da violência. Somos convidados a reforçar as raízes cristãs de nosso povo. É tempo de vivermos novo vigor missionário. Sejamos missionários do Evangelho do Reino, identificados com a Igreja e solidários com o sofrimento das pessoas. Protagonistas da missão somos todos nós batizados. Os diferentes ministérios dão a cada um o espaço, o modo e a “chance” de ser missionário. Jesus organizou a missão mandando de dois a dois para nos ensinar que ninguém é missionário sozinho. Só evangelizamos eficazmente se o fizermos ao modo de Jesus, isto é, em equipe, em comunidade, conjuntamente, de forma co-responsável, como Igreja. Não podemos ser uma federação administrativa de paróquias, mas devemos ser uma comunhão eclesial.

 

Pastoral de Conjunto, Orgânica

Ser uma Diocese, uma Igreja Particular, não é somente ter um território, um bispo com seu presbitério, uma cúria organizada e uma bela catedral. Isto ajuda, são meios. Mas ser uma Diocese é antes de tudo viver o Evangelho se alimentando da Eucaristia, e “ter um projeto Pastoral que envolva toda a Diocese, com capacidade de empolgar todos os seus agentes”. Daí a importância da coordenação pastoral e de um Plano de Pastoral sério, pensado e assumido por todas as forças vivas da Diocese. Sem isto a Igreja não pode crescer. Constatamos que o individualismo é uma tentação constante; porém, não há Igreja no individualismo, no “cada um por si”, na fuga da comunhão e da participação. Temos de ter Pastoral de Conjunto, Orgânica, dado que a tarefa de evangelizar é de toda a Igreja e não só de indivíduos. Ter como meta o exercício da vontade do Pai do Céu nos tira do egoísmo. Assim, o valor maior para a pessoa que crê no Deus de Jesus não é a realização pessoal, mas a realização do Reino de Deus. Buscai primeiro o Reino de Deus, o demais Deus dará, até a tua realização pessoal virá por acréscimo (Mt 6,33).

 

Conclamo assim a todos os batizados, a começar do presbitério, sem o qual o Bispo pouco pode fazer, religiosos e religiosas, consagrados, leigos e leigas a unir as forças para evangelizar, numa pastoral de conjunto que dê rosto a nossa Igreja. Sem Pastoral de Conjunto a Igreja pode ter corpo, mas não tem rosto. Recordo aqui a força dos leigos para desenvolver a missão evangelizadora. O futuro da Igreja virá sobretudo, da força dos batizados e batizadas que amam Jesus Cristo, se encontram com Ele e o conhecem. Daí a importância da ação dos leigos na Igreja de hoje. Daí também a necessidade de tomar providências em sentido amplo para a formação de um laicato adulto e atuante. Que o amor de todos vocês pela Igreja ajude cada um a se engajar e também colaborar no sustento material do culto, dos ministros, da administração, das estruturas mínimas e dos organismos de nossa Igreja, tudo em vista da missão.

 

Algumas atitudes fundamentais que se espera do bispo hoje

Muitos se perguntam sobre as atitudes que o bispo deve tomar no dia a dia da direção da Igreja. Gostaria de apontar aqui algumas que procurarei praticar com a graça de Deus e o apoio de vocês:

 

1. Primeiro a pregação do Evangelho. Este é o primeiro compromisso do Bispo. Viver o Evangelho. Rezar o Evangelho, proclamar o Evangelho, como quem dá um beijo carinhoso de Deus, sem impor nem ameaçar, mas como quem oferece um dom valioso.

 

2. Em segundo lugar a defesa da vida. Em nome do Evangelho o bispo é promotor dos valores da dignidade da pessoa humana que é imagem de Deus. Quando o bispo defende os direitos humanos não está fazendo política, mas ele está, sobretudo, defendendo os direitos de Deus, o qual criou o ser humano para viver com dignidade. Por isso o bispo divulga a Doutrina Social da Igreja em vista da criação da Civilização do Amor (Paulo VI).

 

3. A solidariedade é outra atitude que deve nortear o comportamento do bispo. Numa sociedade regida muitas vezes pela economia sem coração, e que facilmente cai na tentação do egoísmo e da avareza, a solidariedade com os que sofrem é sacramento do Reino de Deus. A Igreja é chamada a ser samaritana, olhar pelos caídos à beira do caminho. Tirar o medo das pessoas, trabalhar pelo fim da violência, ajudar os desvalidos; enfim, o Bispo de Amparo tem a missão de fazer o possível para amparar os outros, o impossível Deus fará.

 

4. Ser Pai, irmão e amigo dos padres. Aqui dirijo uma palavra especial ao meu clero. Penso que não basta ao bispo ser a cabeça do presbitério, tem de ser também seu coração. O bispo só é plenamente bispo, quando ao seu redor há um presbitério unido para agir com ele. Por isso, ao presbitério, não basta estar reunido, é preciso estar unido em torno do Bispo. Quero conhecer melhor cada um de vocês, quanto mais nos conhecermos mais nos amaremos. Desejo que cada padre tenha em mim um pai, um irmão que o ama de verdade. Tenho o grave dever de decidir nesta Igreja em que hoje tomo meu lugar designado por Cristo na pessoa do Sucessor de Pedro. Não fugirei a este dever exigente e grave de dar a última palavra, mas antes, quero ouvir as penúltimas palavras de todos os meus irmãos presbíteros, dentro do possível, num diálogo de Pai para filhos, de irmão mais velho, na verdade e na caridade (cf. S. Cipriano in Epist., V n. IV, PL 4, 240).

 

5. Outra atitude é o diálogo. A caridade pastoral do bispo se manifesta mais no diálogo que no trabalho pastoral, mesmo porque sem o diálogo o trabalho não dá fruto. O bispo deve dialogar com todos, com os fiéis e os infiéis, pois ele vem em nome de Cristo também para os injustos, “pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10). Não se espantem de ver o Bispo andando por todos os cantos e antros da Diocese.

 

6. E por fim o Bispo deve cultivar a paixão pela justiça, pela santidade (João Paulo II in Pastores Gregis n. 18). Junto com a compaixão e a paciência, espera-se também do bispo o senso de justiça. Justiça é zelo pelas coisas de Deus, pela observância dos mandamentos de Deus, pelas promessas e juramentos feitos diante de Deus desde o batismo até a profissão de fé e consagração dos ministros da Igreja. “Quando tiveres feito um voto ao Senhor teu Deus, não demores em cumprir, porque o Senhor teu Deus te pedirá conta dele” (Dt. 23,22). O zelo pela justiça consiste em não tolerar, muito menos aprovar algo injusto em si mesmo, e naqueles que estão sobre sua responsabilidade. Misericórdia é bondade e ninguém pode ser bom sendo injusto. Quando surge a consciência dos próprios direitos, deve surgir também a consciência dos próprios deveres e obrigações, assumidos livremente diante de Deus na fé. A justiça, que é zelo pelas coisas de Deus, faz amar a Deus e desejar que os interesses de Deus sejam defendidos, faz amar o próximo, preocupando-se não só com a salvação de seu corpo, mas também de sua salvação eterna. São Boaventura, que foi bispo, deixou escrito: “O bispo que zela pela justiça de Deus não faz ou ensina o mal, não facilita nem faz vista grossa com coisas erradas, nem disfarça ou se cala quando sabe que algo de mal foi feito, nem deixa que o malfeitor fique sem repreensão. O bispo tem mandato de Cristo para zelar pela justiça que é a santidade na casa de Deus” (in De sex alis Seraphim cap. II, n. 12). S. Boaventura ainda recomenda, diante deste trabalho difícil: “Não se afrouxe neste zelo, por desgosto ou excesso de trabalho. Não se dobre a sugestões, nem se deixe iludir por astúcias, nem se aparte de sua reta conduta por amizade ou agrados. Nem se atemorize por ameaças, nem desanime, mas cumpra seu dever assumido em nome de Cristo” (cf. Idem cap. II, n.17). Que Deus assim me ajude!

 

Conclusão

Santo Ireneo diz que a marca distintiva do Corpo de Cristo, a Igreja, consiste na sucessão dos bispos, a quem os apóstolos estabeleceram em cada Igreja Local (cf. in Ad. Haer. IV, 37,8). Depois de uma longa espera de três meses, a Diocese de Amparo já tem seu bispo. Eis-me aqui para servir em nome de Jesus que disse. “Eu sou o tronco e vós sois os ramos” (Jo 10,10). Um só tronco e muitos ramos. Esta é uma bela imagem para mostrar a Igreja unida que queremos ser em Amparo. Podem ter a certeza de que serei o bispo de todos, acolhendo cada um em meu coração. Recordo-me aqui de uma frase da poetisa Adélia Prado, que é muito católica. Ela escreve: “O rebanho guardado guarda o homem que os guarda” (in Bagagem, Ed. Record, 19ª ed. p. 52). Achei bonito e se aplica ao bispo. Eu como bispo guardo vocês e vocês me guardem. Eu como Bispo rezo por vocês e os protejo, e vocês também rezem e protejam o bispo. No mais, tenhamos esperança, só a esperança confere sentido ao sofrimento. Vamos nos arriscar no futuro de Deus, confiando em sua providência, no seu desígnio para nossa caminhada de Igreja. Deus quer que tenhamos confiança nele e confiança uns nos outros. A confiança vem do coração que ama. Um bispo mineiro me contou que quando chegou na diocese, ao entrar na catedral um menino disse alto: “o bispo é forte mas aleijado, precisa de uma bengala muito grande”. Era o báculo, símbolo de Jesus bom pastor. O bispo se apóia no báculo que é Jesus  e por isso pode dizer junto com sua Igreja: “Embora eu caminhe num vale tenebroso, não temerei; teu bastão, teu cajado me dão segurança” (Sl 23,4).

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

+Dom Pedro Carlos Cipolini

Bispo Diocesano de Amparo

 

Amparo, 24 de outubro de 2010.

 

 

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