Esclarecimentos sobre alguns pontos da fé católica

 

1. Por que os católicos veneram a Virgem Maria?

 

R: Os católicos veneram Maria, porque Deus a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. Nosso amor e veneração pela Mãe do Filho de Deus encarnado já se encontram mencionados no Evangelho, quando ela mesma diz: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). Demonstramos nosso amor à Virgem Maria nas festas que a Igreja celebra em seu louvor ou quando rezamos o Rosário, contemplando Jesus com Maria. Mas também a cada dia, quando nos dirigimos a ela pedindo seu auxílio, quando rezamos com amor a “Ave Maria”, quando colocamos sob sua proteção materna nossa vida. Em sua primeira parte, a oração da “Ave-Maria” tem fundamento bíblico, pois contém as palavras do Evangelho de Lucas 1,28.42.

Adoramos somente a Deus. A Maria dedicamos especial amor, a imitação, o respeito e a confiança que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. Ela é a criatura que está mais próxima do Senhor. Ela é a primeira criatura plenamente glorificada, sinal concreto da eficácia da salvação de Jesus Cristo na nossa humanidade. Venerar Maria significa professar a nossa fé na poderosa realização da Páscoa de Jesus Cristo em nós, criaturas e filhos. Interessa-se por nós, ama-nos como a filhos queridos, pois o próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). Temos especial carinho por Maria, em obediência a Jesus e por fidelidade ao Evangelho: “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 27). Por isso podemo-nos dirigir a ela, confiando em sua intercessão materna em todas as nossas necessidades.

Jesus mesmo mostrou como lhe agradava a intercessão de Maria, quando for ocasião das Bodas de Caná, a pedido de sua mãe, realizou o primeiro sinal (cf. Jo 2,1-11). Quanto mais assemelhado a Cristo, tanto mais os cristãos devem nutrir os sentimentos de veneração e estima filial que Jesus nutria para com a sua mãe.


 

2. Por que dizemos que Maria é a Mãe de Deus?

 

R: A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, porque é a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem. Os Evangelhos a denominam como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1; 19,25). Desde antes do nascimento de seu Filho, ela é chamada de “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43).

Maria não gerou Deus. Mas gerou e deu à luz Jesus, que é realmente o Filho de Deus. Por isso ela pode ser chamada “Mãe de Deus”. Falando assim, afirmamos nossa fé na divindade de Jesus, confessamos que Jesus é um só ser, humano e divino, é o Filho de Deus que se fez homem.

A fórmula “Maria, Mãe de Deus” preserva uma das verdades mais fundamentais da fé, a verdade da encarnação e a maneira como Deus realizou a redenção do gênero humano. Como os Padres da Igreja diziam, o Verbo de Deus se fez homem para que a humanidade fosse divinizada.

 

 

3. Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?

 

R: Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 2,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1 Cor 9,5). Segundo Mc 6,3 chamavam-se Simão, Tiago, José e Judas. O episódio da peregrinação aos doze anos, quando os pais não deixariam o lar por quinze dias com filhos pequenos (Lc 2,41-42), e o episódio da entrega da mãe a João na cruz seriam incompreensíveis se Jesus tivesse outros irmãos em casa (Jo 19,26s). O termo irmão usado supõe um contexto lingüístico pobre de vocabulário: a palavra aramaica “irmão” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas os primos ou parentes mais distantes. Com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mt 13,55), são filhos de outra Maria, discípula de Jesus (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, chamados de irmãos, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento (Gn 13,8; 14,16; 29,15). “O que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria. Cristo é o Filho único de Maria, nela concebido pelo poder do Espírito Santo.

 

 

4. Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?

 

R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com seu “sim” (cf. Lc 1,38). O Evangelho nos mostra como ela está presente junto a este Jesus, indicando-lhe a ocasião para que Ele fizesse seu primeiro milagre, nas bodas de Caná. Por este milagre, seus discípulos chegaram à fé em Jesus (cf. Jo 2,11). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At 1,14). Esta sua missão não passou. Até a segunda vinda de Cristo, a consumação do Reino de Deus, Maria continua realizando seu papel de mãe amorosa para com toda a Igreja e cada um de seus filhos.

 

 

5. Por que chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora? Não existe apenas um Senhor?

 

R: A palavra senhor, na linguagem cotidiana, é usada como um tratamento respeitoso, dado a algumas pessoas, pais, professores, autoridades... dentre outras.

Na Idade Média, São Bernardo, vendo como cada “senhor” apresentava sua “senhora”, lembrou que Jesus nos deu uma “Senhora” para amparar a todos. Desde então Maria é chamada de “Nossa Senhora”. Trata-se de um título da devoção popular.

A Mãe de Jesus, com toda certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico do termo Senhor. Na Sagrada Escritura, este termo é carregado de um sentido muito maior. Senhor é o nome próprio para designar a divindade do Deus de Israel, desde que se revelou a Moisés como Iahveh, “aquele que é”, traduzido na versão grega dos livros do Antigo Testamento por Kyrios, “Senhor”. No Novo Testamento, a palavra Senhor é utilizada neste sentido mais forte. Jesus é chamado de Senhor por aqueles que dele se aproximam com respeito e confiança no seu poder de ajuda e cura. Nos encontros com Jesus Ressuscitado, o termo Senhor aparece como expressão de adoração: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Jesus é “de condição divina” (Fl 2,6), o Senhor, digno do mesmo poder, honra e glória devidos ao Pai. Ele é o Senhor da vida e da história, por quem a Igreja clama: “Amém, vem Senhor Jesus!” (Ap 22,20). O nome Senhor indica, portanto, a soberania divina. Quem confessa ou invoca Jesus como Senhor demonstra que crê na sua divindade. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo” (1 Cor 12,3).

 

 

6. Que significa ser santo?

 

R: No Evangelho de São Mateus (5,48), encontramos estas palavras de Jesus: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. Deus é o único santo (Lv 19,2). Pelo Batismo, recebemos a graça de Deus. A Santíssima Trindade vem habitar em nós. Somos templos de Deus e queremos conservar sempre Deus em nós e abrirmo-nos sempre mais a Ele, deixando que sua graça nos transforme (2Cor 6,16). Vamos assim nos assemelhando cada vez mais ao Deus Santo. Isto é certamente fruto de nosso esforço, mas é, sobretudo, dom de sua graça.

Deus é amor. Ser santo é, portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Jesus mesmo falou que os “benditos de seu Pai” são aqueles que, por causa dele, fazem o bem a todos os que necessitam (cf. Mt 25,34-40). O martírio constitui o cume da santidade, porque faz do cristão um seguidor de Jesus Cristo, até o ponto de poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1). Santos são, portanto, todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.

 

 

7. O que é canonização dos santos?

 

R: Canonização é a sentença definitiva pela qual a Igreja declara que alguém participa da glória celeste e prescreve que lhe seja prestada veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza, mas a Igreja a canoniza porque ela é santa. A Igreja, pelo magistério solene e universal do Papa, reconhece a santidade dos nossos irmãos.

Desde os primeiros tempos a Igreja cultuava os mártires e os confessores da fé. O heroísmo da fé, o ardor da caridade e das outras virtudes dos amigos de Deus, reconhecidos pelas pessoas que conviviam com eles, ocasionavam a proclamação espontânea da santidade destes cristãos. Registravam-se bispos, monges missionários, os fundadores de conventos e mosteiros, pais e mães de família, jovens etc. Até o séc. VI bastava o reconhecimento da comunidade cristã para que se desse início ao culto. Com o tempo a Igreja exigiu um procedimento mais detalhado e a canonização passou a ser feita pelo papa.

Com a canonização de alguém, a Igreja nos propõe exemplos de vida e mostra de modo vivo que todos nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus de sermos como Ele é (cf. Mt 5,48). Os santos são discípulos exemplares de Jesus Cristo e ajudam os seus irmãos a conhecerem os caminhos do Evangelho e da imitação de Jesus Cristo. Mostra ainda que participamos de uma Comunidade, a Igreja, que, apesar de tantas falhas de seus filhos, tem em seu seio verdadeiros heróis da fé e do amor, pessoas como nós que hoje, na glória de Deus, intercedem por nós.

 

 

8. O que é o culto (veneração) dos santos?

 

R: Cristo é a cabeça de um Corpo que é a Igreja, cujos membros são todos os cristãos. Existe, então, entre a Cabeça e o Corpo uma comunhão de vida e de interesses entre Cristo e os cristãos, assim como os cristãos entre si. Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Terminada a peregrinação terrestre, plenamente compenetrados pelo amor de Cristo e configurados n’Ele, os santos gozam atualmente da visão de Deus face a face. Conscientes desta verdade, os cristãos, desde os primeiros séculos, entendendo que esta nova situação não cancela a comunhão e a solidariedade, começaram a venerar santos como intercessores em favor daqueles que ainda peregrinam pelas estradas deste mundo, entre as suas vicissitudes.

Na perfeição dos santos, os cristãos, em primeiro lugar, adoram, louvam e bendizem a obra do Criador e Redentor, a expressão perfeita de sua sabedoria e vitória. Segundo, invocando a bondade de Deus e de suas obras, o culto dos santos desperta nos que estão em estado de peregrinação o desejo de chegarem também eles à Jerusalém celeste, onde se encontram os bem-aventurados. A intercessão dos justos, sobretudo, dos que alcançaram a plenitude, sendo agradável a Deus (cf. Gn 18,22-32), pode obter as graças espirituais e materiais para aqueles que necessitam conseguir a plenitude da Redenção (cf. Rm 8,29). Trata-se de uma comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.

A intercessão dos santos não tem a função de informar Deus de necessidades que lhe são ignoradas, mas, sobretudo, de fazer com que os fiéis possam compreender e corresponder mais plenamente ao plano e à vontade de Deus.

 

 

9. Os santos intercedem por nós junto de Deus?

 

R: Todos nós que vivemos na graça de Deus estamos em comunhão com Deus. Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós, numa ligação invisível, mas real (cf. Rm 12,4-5). É uma comunhão no amor. Por isso eu posso rezar por alguém ou pedir que alguém reze, interceda por mim: porque estou ligado a Cristo e, n’Ele, ao meu irmão. Da mesma forma, posso pedir a um santo canonizado que interceda por mim junto ao Senhor. Gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por minhas intenções, para que o reino de Deus se realize (cf. Mt 6,33).

 

 

10. Como entender a doutrina das indulgências?

 

R: A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estritamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC, 1471). “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados, quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas circunstâncias, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos. A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera total ou parcialmente da pena devida pelos pecados” (Paulo VI, Indulgentiarum doctrina, normas 1-3.). “Qualquer fiel pode alcançar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio” (cân. 994). As indulgências existem porque o pecado tem uma dupla conseqüência: o pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, conseqüentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer nesta vida, quer depois da morte, no estado chamado purgatório. A purificação liberta da chamada pena temporal do pecado, que permanece mesmo após a confissão sacramental e o perdão. Obras de misericórdia, a caridade, orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência parcial ou total. Ao conferir as indulgências, a Igreja, que recebeu de Cristo o poder de ligar e desligar, intervem a favor dos cristãos, abrindo-lhes os tesouros dos méritos de Cristo e dos santos, para obter do Pai a remissão das penas temporais devidas aos pecados.

 

 

11. Os católicos adoram imagens?

 

R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus invisível se tornou visível. Por essa razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens.

O que Deus no Antigo Testamento proíbe é fazer imagens para serem adoradas como deuses (Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (Ex 25,18-20; Num 21,8-9; 1 Rs 6,23-35 e 7,29). A bíblia mesma diz que Deus fez o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gn 1,26-27).

A imagem faz parte da linguagem humana, é a representação de alguma pessoa, coisa, idéia. Assim, o desenho de uma flor, as fotos de uma pessoa e a pintura de uma paisagem são imagens.

A imagem de Cristo é o ícone por excelência. As outras que representam Nossa Senhora e os santos, significam Cristo, que nelas é glorificado. Proclamam a mesma mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite mediante a palavra e ajudam a despertar e a nutrir a fé dos crentes.

A Tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens como suportes para a catequese, a oração e a evangelização. Numa época das imagens, como a que vivemos, o uso das imagens cristãs pode ser uma grande contribuição para a evangelização. Mas é claro que o católico não adora a imagem, e sim, venera aquele que é representado por ela, e adora somente a Deus.

 

 

12. Por que a Igreja batiza crianças?

 

R: A Bíblia não se refere explicitamente ao Batismo de Crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (at 16,14s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8), a família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão “casa” designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que, certamente, não faltavam, naqueles tempos). Portanto, indiretamente, as Escrituras sugerem o Batismo de crianças.

Desde os primeiros séculos existem testemunhos diretos a respeito do Batismo de crianças. Santo Agostinho, no século IV, considerou inclusive como tradição recebida dos apóstolos. Recorrendo à Sagrada Escritura e à Tradição, os Papas e Concílios intervieram, muitas vezes, para recordar aos cristãos o dever de batizar os filhos pequeninos.

Os pais, quando pedem o batismo de seus filhos, desejam para eles a vida eterna, verdadeira e feliz, mas não podem garantir este dom durante todo o tempo futuro e desconhecido. Por isso, querem inserir seus filhos na vida divina. E o fazem por meio do Batismo. E desta forma se tornam os primeiros responsáveis pela educação da fé de seus filhos e afilhados.

 

 

13. Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus”? (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?

 

R: Jesus no Evangelho, confiou o ministério da remissão dos pecados aos seus discípulos. Antes da Paixão, prometeu a Pedro (Mt 16,19) e aos outros apóstolos (Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (Jo 20,21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em seu nome. Segue-se, então, que a confissão aos bispos e aos sacerdotes foi atestada pelos documentos já na antiga literatura cristã. Além disso, deve-se considerar que o pecado não é somente um ato que atinge a Deus e ao mesmo pecador; tem profundas conseqüências para as outras pessoas, para a comunidade dos irmãos. Compreende-se, então, que a remissão outorgada por Deus passe através dos ministros da Igreja, enquanto representantes da comunhão dos santos e o próprio Deus.

 

 

14. Para o católico, o casamento é sacramento indissolúvel. Como entender?

 

R: “Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade última no desígnio que Deus manifestou na revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja” (FC 20).

Em alguns textos o Novo Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (Mc 10,11s; Lc 16,18; 1 Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Trata-se de uma indissolubilidade objetiva, derivada do projeto salvífico de Deus e de sua ordem de valores, independente da subjetividade dos contraentes; quem contrai o matrimônio cristão deve sabê-lo de antemão. Jesus assim o diz: “O que Deus uniu o homem não o deve separar” (Mt 19,6); então, por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel.

A Tradição Cristã, desde os primeiros séculos, apresentou diversas vozes importantes (Tertuliano, Clemente de Alexandria Orígenes, Ambrósio e Agostinho como exemplos) favoráveis à indissolubilidade do matrimônio religioso validamente contraído. No decorrer dos séculos, a doutrina da indissolubilidade foi sempre reafirmada pelos concílios e pelas declarações pontifícias.

 

 

15. Quem é o Papa para nós, católicos?

 

R. O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constitui como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (LG 23). Como sucessor de Pedro, o Papa conduz a Igreja de Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). Sua autoridade é expressão do amor a serviço da unidade. Na expressão de Gregório Magno, ele é o “Servo dos Servos de Deus”.

O Papa é o pastor de toda a Igreja. O Senhor confiou a Pedro todo o rebanho (Jo 21,15-17). Na cidade de Roma, Pedro desempenhou o seu ministério e foi martirizado. Assim o Papa, com os bispos unidos a ele, conserva o testemunho do martírio de Pedro e também de Paulo, sendo o sinal visível da unidade da Igreja. Sua presença expressa e significa a continuidade da Palavra de Cristo e da doutrina dos Apóstolos na Igreja, a segurança da fé, da esperança e da caridade.

O Papa tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo deu a Pedro: “Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). O Papa, com os bispos unidos a ele, tem a missão de conservar a Igreja fiel ao Evangelho e ao testemunho dos apóstolos.

Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os Bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica.

 

 

16. O católico pode acreditar na reencarnação?

 

R: O católico não pode crer na reencarnação, a teoria segundo a qual a alma, deixando o corpo após a morte, passaria para outro corpo. A Bíblia ensina que cada pessoa tem uma só existência sobre a terra e que, após essa vida, comparece diante de Deus para ser julgada. Diz a Carta aos Hebreus (9,27): “Está estabelecido que os homens morram uma só vez e, depois disso, o juízo.” De fato, Jesus e os Apóstolos não pregaram a reencarnação e sim a ressurreição dos mortos: “Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros hão de ouvir a voz do Filho do homem. Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5, 28-29; 6,54; Mc 3,29; 9,43-48). Da mesma forma, os Apóstolos ensinaram que a ressurreição de Cristo é garantia da nossa ressurreição (cf. 1Cor 15,12-19). A Igreja nos convida a vigiar “constantemente, a fim de que, terminando o único curso de nossa vida terrestre, possamos entrar com Cristo para as bodas e mereçamos ser contados entre os benditos!” (LG, 48).

 

 

17. Qual a doutrina da Igreja Católica sobre o purgatório?

 

R: O Purgatório é a purificação final dos eleitos que morreram na graça e na amizade de Deus, mas que não alcançaram, ainda, a santidade necessária para usufruir da alegria celestial. Esta doutrina tem como ponto de referência vários textos da Sagrada Escritura, a exemplo de 1 Cor 3,13-15, no qual São Paulo fala de pecados leves que serão queimados pelo fogo: “... o fogo provará o que vale, o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo”. Lemos, ainda em Pd 1,7, quando o Apóstolo nos fala sobre a ressurreição e a esperança da salvação: “... para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar”. A purificação final nada tem a ver com o castigo dos condenados. Não podemos nos esquecer que Deus é rico em misericórdia, mas também o justo juiz.

 

 

18. Quem fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?

 

R: A Igreja de Deus foi prefigurada desde a criação do mundo. O Antigo Testamento se refere às alianças de Deus com o justo Abel, com Noé e com Abraão. Dessas alianças, voltadas para a adoração do Criador e para a busca da salvação, nasceu verdadeira comunhão de Deus com os seres humanos. A Igreja foi preparada na história do antigo Israel e na antiga aliança. Segundo São Paulo, ela é herdeira das promessas que Deus fez a Abraão (cf. Gl 3,15-19), pois a descendência de Abraão não foi segundo a carne, mas segundo a fé. Do antigo Israel, a Igreja recebeu as Escrituras do Antigo Testamento. Mesmo o Novo Testamento originou-se, de certo modo, de uma leitura cristológica do Antigo Testamento, pois Cristo é a realização das promessas nele contidas. A Igreja foi fundada por Cristo, através da pregação do Evangelho, o envio dos discípulos em missão, sua paixão, morte e ressurreição e através do envio do Espírito santificador sobre os apóstolos. O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja chamada Lumen Gentium,  fala de atos fundantes da Igreja, realizados pelo Senhor. Atos fundantes da Igreja foram, por exemplo, a convocação dos Doze; a instituição da Eucaristia; a Ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo. A Igreja é a comunidade em que o Ressuscitado está presente: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Foi manifestada em Pentecostes: “Ide, portanto, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

 

 

19. Em que a Igreja Católica difere das demais Igrejas cristãs?

 

R: Apesar da divisão entre os cristãos, ao longo da história, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo não desapareceu, nem foi perdida: ela subsiste na Igreja Católica. Esta possui todos os elementos de eclesialidade que encontramos no Novo Testamento: a mesma fé, os sete sacramentos, a sucessão do colégio apostólico, a dimensão episcopal, a sucessão do ministério petrino exercido pelo papa, o ministério da Palavra não só como anuncio, mas também como magistério autêntico, isto é, como ensino normativo em nome de Cristo. Em nenhum outro lugar se encontra, como na Igreja Católica, a plenitude dos meios salvíficos queridos por Cristo.

 

 

20. O que vem a ser Ecumenismo?

 

R: É a aproximação, a cooperação entre os cristãos, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os católicos, os ortodoxos, os anglicanos e os protestantes, crentes e evangélicos. O Concílio Vaticano II assim apresenta o movimento ecumênico: “Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como Salvador e Senhor, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias, onde ouviram o Evangelho e que declaram, cada um, ser sua Igreja e a de Deus. Quase todos, porém, embora diversamente, desejam uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo para a glória de Deus” (Unitatis Redintegratio 1).

 

 

21. Santificação do sábado ou do domingo?

 

R: A Bíblia ordena: “Lembra-te de santificar o dia de sábado” (Ex 20,8). Por que então os católicos guardam o domingo? A palavra sábado vem do hebraico shabat que significa “descanso”. É dia de descanso em honra de Deus. Para os cristãos, o dia sabático consagrado a Deus é o domingo. Em Marcos 2,27-28, afirma Jesus: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do Homem é Senhor também do sábado.” Fatos relevantes da vida do Senhor e da Igreja primitiva aconteceram no domingo, como, por exemplo, a Ressurreição e Pentecostes. A Igreja primitiva reunia-se no primeiro dia da semana (At 20,7; 1Cor 16,2). Em Apocalipse 1,10, São João Evangelista já usa a nova denominação cristã, “domingo, dia do Senhor”, o dia de sua ressurreição e da vinda do Espírito Santo à Igreja da Nova e Eterna Aliança, como o atesta toda a tradição cristã (Mc 16,9 e At 2,1).  Por esta razão a Igreja Católica observa o domingo como dia consagrado ao Senhor.

 

 

22. A Bíblia é a única fonte da fé?

 

R: Para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Além da Bíblia, existem a tradição apostólica e o magistério da Igreja. Tanto o Antigo como o Novo Testamento foram divulgados pela tradição oral antes de serem escritos. O Novo Testamento somente ficou completo no final do primeiro século. Sempre coube ao Magistério da Igreja garantir a autenticidade dos textos bíblicos e sua legítima interpretação.

 

 

23. Por que os fiéis honram a Eucaristia e lhe prestam o culto máximo de adoração?

 

R: Quem recebe a comunhão eucarística deve estar em estado de graça, pois a Eucaristia contém o próprio Cristo Senhor, que nela se oferece e se recebe, mediante os sinais do pão e do vinho consagrados. Pela Eucaristia, a Igreja continuamente vive e cresce. A Eucaristia é o memorial da morte e da ressurreição do Senhor, confiado à Igreja, pelo qual se perpetua, pelos séculos, o sacrifício da cruz. Os fiéis têm em máxima honra a Eucaristia e, por isso, buscam participar ativamente da celebração eucarística, recebê-la muitas vezes, com a máxima devoção e prestar-lhe culto de suprema adoração. A Eucaristia é a presença real de nosso Senhor Jesus Cristo. A Eucaristia significa e realiza a unidade do povo de Deus, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã. (Cf. cânones 897-898; SC 47; LG 11 e PO 5, entre outros documentos.) Uma vez que Cristo mesmo está presente no Sacramento do altar também depois da celebração da Missa, é preciso honrá-lo com um culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor” (Cf. CIC 1418.).

 

 

24. O que diferencia a Bíblia dos Católicos?

 

R: As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus” (DV 24). A Igreja venera como inspirados os 46 livros do Antigo (45, se considerarmos Jeremias e Lamentações juntos) e os 27 livros do Novo Testamento. A Bíblia Católica é completa, isto é, contém todos os livros que formam o conjunto das Sagradas Escrituras. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Nas versões protestantes, faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 de Macabeus e partes dos livros de Ester e de Daniel. “A interpretação da Escritura está sujeita, em última instância ao juízo da Igreja, que exerce o divino mandato do guardar e interpretar a Palavra de Deus” (DV 12,3).

 

     

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