29/07/2018

Ano do Laicato: "Sal da terra e Luz do mundo" (Mt 5,13-14)

17º Domingo do Tempo Comum

"Saciou a multidão faminta!"

 

 

A partilha gera a vida. Tudo que é repartido e doado com amor, multiplica-se na vida do doador. Jesus, sentindo a necessidade da multidão, alimenta as pessoas com a Palavra e com o pão partilhado. O pão é multiplicado como dom do Pai que alimenta a todos. Como povo de Deus caminhemos juntos em direção ao altar celebrando o amor do Senhor da vida. Ele é misericórdia e compaixão. 

 

 

Liturgia da Palavra - Deus nos fala

O profeta Eliseu e Jesus são sensíveis à fome do povo e, do que era pouco, garantiram o alimento para todos. A partilha gera a vida. A fome no mundo é o grande sinal da injustiça, da falta de partilha e de que o Evangelho ainda não foi assumido. Jesus foi misericordioso e compassivo com a multidão. A Palavra nos chama à partilha e à conversão. 

 

 

1ª Leitura - 2Rs 4,42-44

Leitura do Segundo Livro dos Reis:

Naqueles dias, veio também um homem de Baal-Salisa, trazendo em seu alforje para Eliseu, o homem de Deus, pães dos primeiros frutos da terra: eram vinte pães de cevada e trigo novo. E Eliseu disse: "Dá ao povo para que coma".

Mas o seu servo respondeu: "Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?" Eliseu disse outra vez: "Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: 'Comerão e ainda sobrará'".

O homem distribuiu e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Salmo Responsorial - Sl 144

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam e vós lhes dais no tempo certo o alimento; vós abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura.

 

É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.  

 

 

2ª Leitura - Ef 4,1-6

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes; com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor.

Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados.

Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Evangelho - Jo 6,1-15

Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por João:

Naquele tempo, Jesus foi para ao outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.

Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer.

Filipe respondeu: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um".

Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: "Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?"

Jesus disse: "Fazei sentar as pessoas". Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.

Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes.

Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!"

Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo".

Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Reflexão

Viver no seguimento de Jesus é viver a experiência da partilha. Este é o fio condutor das leituras da celebração de hoje. Na primeira leitura vemos um homem ofertar ao profeta Eliseu os grãos de cevada que trouxe de sua plantação. O profeta acolhe a oferta e alimenta toda a confraria dos profetas. A partilha sacia a fome de todos.

No Evangelho Jesus também sacia a fome da multidão que o seguia pelo deserto. As pessoas viam os sinais que Jesus fazia para os doentes. Era a multidão de um povo faminto e doente, que buscava alívio e consolo no pastor. Seguiam a Jesus porque queriam resolver seus problemas, curar suas feridas, aliviar suas angústias. Diante daquela multidão, Jesus provoca seus discípulos chamando a atenção para a carência do povo. Onde vamos comprar pão para tanta gente? Nem duzentos denários não bastam, respondeu Filipe.

Jesus sabe que a saída para a situação do povo não passa pelo dinheiro. O dinheiro é fruto do acúmulo. Para Jesus, a solução está na partilha. Quando existe oferta generosa, o alimento se multiplica. Temos hoje a possibilidade financeira de saciar a multidão faminta? Sabemos que não! O que fazer então? Temos que aprender do rapaz. Silenciosamente ele coloca à disposição de Jesus aquilo que ele trouxe: cinco pães de cevada e dois peixes. O evangelho de João especifica que os pães são de cevada. Na época de Jesus só os pobres comiam pão de cevada. Esse detalhe revela que o rapaz é um trabalhador diarista que saiu para o trabalho levando sua refeição. Ele entrega a Jesus sua marmita. Com seu gesto silencioso, o rapaz está dizendo: o que eu tenho, não dá para matar a fome de toda esta multidão! Mas o que eu tenho, eu coloco à disposição! Esta é a minha oferta. Jesus acolhe e multiplica a oferta do rapaz. Depois de saciar a multidão, Jesus manda recolher o que sobrou. Nunca devemos desperdiçar alimentos. Até hoje, com as sobras da mesa dos ricos poderíamos resolver o problema da fome no Brasil. Se houvesse partilha no Brasil, não haveria famintos e sobraria comida para os outros povos.

As leituras de hoje nos ensinam que o Reino acontece quando se partilha com os pobres e famintos o pouco que se tem. Por isso, até hoje, em nossas celebrações eucarísticas, só pode existir a Consagração se antes houver o Ofertório, a Partilha. Jesus só se multiplica no pão eucarístico se a comunidade ofertar generosamente seus dons.

Francisco Orofino e Frei Carlos Mesters 

Este texto faz parte do folheto litúrgico deste domingo - Deus Conosco -

Ed. Santuário.

 

 

Oração da Comunidade

Senhor, Deus da vida e de misericórdia, sem vós nada somos e nada podemos fazer. Precisamos de vosso auxílio divino. Ouvi o que agora vos pedimos com humildade, e a vós suplicamos: Fazei-nos, Senhor, solidários no amor!

 

1. Fazei com que vossa Igreja, vivendo a Eucaristia, incentive a humanidade à partilha e ao compromisso com a vida. Rezemos ao Senhor:

Fazei-nos, Senhor, solidários no amor!

 

2. Inspirai os sacerdotes na celebração da Eucaristia e no anúncio da Palavra, a fim de que possam educar a Comunidade para a piedade eucarística e o compromisso fraterno. Rezemos ao Senhor:

Fazei-nos, Senhor, solidários no amor!

 

3. Olhai compassivo para todos os irmãos e irmãs que passam fome e estão privados de outros direitos, para que a justiça os alcance e sintam também a solidariedade fraterna dos cristãos. Rezemos ao Senhor:

Fazei-nos, Senhor, solidários no amor!

 

4. Tocai no coração dos cristãos, para que alimentados pela Eucaristia, manifestem o Reino em atitudes concretas de amor e de perdão, de fraternidade e de luta pela justiça. Rezemos ao Senhor:

Fazei-nos, Senhor, solidários no amor!

 

Ó Pai, que nos destes vosso Filho, que sacia a fome de vosso povo, ouvi nossas preces e fazei que encontremos nossa alegria na abundância dos vossos dons. Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.

 

 

Oração do Laicato

Ó Trindade Santíssima, amor pleno e eterno, que estabelecestes a Igreja como vossa "imagem terrena": Nós vos agradecemos pelos dons e carismas, vocações, ministérios e serviços que todos os membros de vosso povo realizam como "Igreja em saída", para o bem comum, a missão evangelizadora e a transformação social, em vista de vosso Reino.

Nós vos louvamos pela presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, sujeitos eclesiais, testemunhas de fé, santidade e ação transformadora.

Nós vos pedimos que todos os batizados atuem como sal da terra e luz do mundo: na família e no trabalho, na política e na economia, nas ciências e nas artes, na educação, na cultura e nos meios de comunicação; na cidade, no campo e em todo o planeta, nossa "casa comum".

Nós vos rogamos que todos contribuam para que os cristãos leigos e leigas compreendam sua vocação e identidade, espiritualidade e missão, e atuem de forma organizada na Igreja e na sociedade, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres.

Isto vos suplicamos pela intercessão da Sagrada Família, Jesus, Maria e José, modelos para todos os cristãos. Amém.

 

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