08/07/2018

14º Domingo do Tempo Comum

"Acolher o Senhor e sua verdade!"

 

 

A Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, se encontra na fraternidade para ouvir sua Palavra. O Senhor abre nossos ouvidos e nossos corações para a vontade do Pai, que conhece nossas fraquezas e nos quer para Ele. Proclamemos a presença de Jesus entre nós e fiquemos atentos para perceber sua ação mesmo na rotina de nossa vida. Deixemo-nos encantar pela mensagem do carpinteiro, o Filho de Maria, Jesus de Nazaré!

 

 

Liturgia da Palavra - Deus nos fala

Deus caminha com seu povo e, mesmo diante da dureza de seu coração, o conclama para a profecia. Em Jesus, Palavra encarnada, Deus vai ao encontro de seu povo e de suas necessidades. A fé é fundamental para se conhecer Jesus e colocar em prática seus ensinamentos. 

 

 

1ª Leitura - Ez 2,2-5

Leitura da Profecia de Ezequiel:

Naqueles dias, depois de me ter falado, entrou em mim um espírito que me pôs de pé. Então, eu ouvi aquele que me falava, o qual me disse: "Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. Eles e seus pais se revoltaram contra mim até ao dia de hoje. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: 'Assim diz o Senhor Deus'.

Quer te escutem, quer não — pois são um bando de rebeldes — ficarão sabendo que houve entre eles um profeta".

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Salmo Responsorial - Sl 122

Os nossos olhos estão fitos no Senhor: tende piedade, ó Senhor, tende piedade!

 

Eu levanto os meus olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos nas mãos do seu senhor.

 

Como os olhos das escravas estão fitos nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos, no Senhor, até de nós ter piedade.

 

Tende piedade, ó Senhor, tende piedade; já é demais esse desprezo! Estamos fartos do escárnio dos ricaços e do desprezo dos soberbos!

 

 

2ª Leitura - 2Cor 12,7-10

Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: Para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais.

A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. Mas ele disse-me: "Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta". Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim.

Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Evangelho - Mc 6,1-6

Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por Marcos:

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.

Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: "De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?" E ficaram escandalizados por causa dele.

Jesus lhes dizia: "Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares". E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Reflexão

O tema central das leituras deste domingo é a missão, com suas dificuldades e fraquezas. Na primeira leitura, o profeta Ezequiel partilha conosco a dureza da sua vocação profética. Ele é enviado por Deus ao seu próprio povo, "um povo arrogante e com um coração de pedra". É mais fácil ir em missão para lugares e povos diferentes, do que ser enviado, como Ezequiel, para anunciar a Palavra para a casa de Israel. Nada é mais difícil do que evangelizar nossa própria família, nossa casa, nossa vizinhança. Gente que nos conhece desde a infância, que sabe de nossas dificuldades, nossos medos, nossas carências e fraquezas. O profeta, como Ezequiel, se sente inseguro diante dessa missão. As pessoas podem escutar e acolher a mensagem. Ou podem fechar-se e recusarem a Palavra por não confiar no mensageiro. O profeta sente-se fraco diante da oposição e da rejeição. Conforme diz Paulo na segunda leitura, todo profeta enfrenta seus momentos de fraqueza. Essas dificuldades existem para que o mensageiro não se encha de soberba e não esqueça de que é apenas um instrumento nas mãos de Deus. Todo mensageiro, como diz o salmo, deve ser obediente a Deus, trabalhar na total prontidão, como um escravo atento às ordens de seu senhor. Por isso, conclui Paulo, devemos nos alegrar nas horas de fraqueza, pois "quando sou fraco, então é que sou forte". Diante da fraqueza do profeta, a força do Espírito é que garante a veracidade da mensagem. A Palavra é de Deus e não do profeta.

O evangelho de hoje conta que Jesus também teve que enfrentar sua própria gente. Quando foi para Nazaré, ele sentiu a resistência de sua família, de seus parentes e de seus vizinhos. Mesmo assim Jesus dá seu recado e seu testemunho diante da comunidade que o viu crescer e trabalhar como carpinteiro. Alguns ficaram admirados com seu conhecimento e com sua sabedoria. Como pode um simples carpinteiro ter tanta sabedoria? Já outros ficaram escandalizados com seus gestos e suas atitudes. Jesus os enfrenta com tranquilidade, sem agressões. Ele sabe que nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra, por sua própria gente. Diante de tamanha resistência, Jesus nada pôde fazer. Ele curou alguns doentes e se foi, admirado com a falta de fé das pessoas em Nazaré. É mesmo muito difícil evangelizar sua própria casa.

Francisco Orofino e Frei Carlos Mesters 

Este texto faz parte do folheto litúrgico deste domingo - Deus Conosco -

Ed. Santuário.

 

   

 

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