31/03/2019

4º Domingo da Quaresma

"Estava morto e tornou a viver!"

 

 

Jesus acolhe os pecadores e come com eles. Os fariseus e os escribas não aprovam a atitude de Jesus, que lhes conta a parábola do pai que acolhe seu filho que havia saído de casa e voltou, quando se viu na miséria. A figura desse pai é Deus. Ele não tem limites para seu amor, pois deseja nossa salvação e alegria. Jesus nos mostra que Deus é um juiz que não se limita a conservar e a aplicar uma lei somente, pois prefere usar da lei de sua misericórdia e de seu amor, que nos faz viver.  

 

 

Liturgia da Palavra - Deus nos fala

A piedade e a compaixão foram cultivadas por aquele pai que acolhe de novo seu filho. A compaixão e a misericórdia sempre estiveram presentes nas atitudes de Deus para com seu povo. Se estivermos convertidos, de fato, também usaremos de piedade e compaixão uns com os outros. Pensemos!

 

 

1ª Leitura - Js 5,9a.10-12

Leitura do Livro de Josué:

Naqueles dias, o Senhor disse a Josué: "Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito".

Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa, comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados nesse mesmo dia. O maná cessou de cair no dia seguinte, quando comeram dos produtos da terra. Os israelitas não mais tiveram o maná. Naquele ano comeram dos frutos da terra de Canaã.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Salmo Responsorial - Sl 33

Provai e vede quão suave é o Senhor!

 

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

 

Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

 

Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

 

2ª Leitura - 2Cor 5,17-21

Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação.

Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Evangelho - Lc 15,1-3.11-32

Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por Lucas:

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". Então Jesus contou-lhes esta parábola:

"Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles.

Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.

Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'.

Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos.

O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'.

Mas o pai disse aos empregados: 'Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa.

O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.

O criado respondeu: 'É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'.

Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'.

Então o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'".

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Reflexão

"Estava morto e tornou a viver"

- Fomos criados para a vida

Finalizando a parábola, Jesus faz o pai misericordioso dizer: "Filho, tu estás sempre comigo,  e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado" (Lc 15,31-32). A misericórdia divina salva-nos dando-nos de volta a vida para a qual fomos criados. Nossa existência só tem sentido se somos filhos e filhas de Deus, participantes de sua vida divina. Sem isso vivemos uma eterna contradição com o desejo que nos arrasta para ele.

- Pelo poder de Jesus voltamos à vida

É o que nos diz Paulo (2Cor 5,17-21). Unindo-nos a si, Cristo como que nos cria de novo, arranca de nós o passado de pecado, restabelece nossa paz, a paz de toda criação, com Deus. Por isso mesmo somos fatores de reconciliação de tudo e de todos: por nossa vida e nossas decisões podemos reorientar para Deus o mundo e a humanidade. Temos em nós a palavra, o poder de Deus, e agimos em nome de Cristo para os salvar na justiça, na verdade e no amor.

- "Tudo agora é novo"

Essa palavra de Paulo leva-nos de volta ao Livro de Josué (5,9a.10-12): fomos libertados, escapamos da vergonhosa escravidão do pecado. Ficou para trás um passado de promessas, podemos saciar-nos com os frutos da Páscoa, da passagem, ou melhor, da presença do Senhor entre nós: "No dia seguinte à Páscoa, comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados nesse mesmo dia" (v.11).

Vivendo uma vida nova em Jesus, na terra nova reconciliada com Deus, temos de ser seguidores teimosos da esperança, na certeza que a vitória final será da justiça e do amor. Nossa fé em Jesus, nossa entrega a ele exige isso de nós.

Não vivemos no medo nem na nostalgia do passado. Somos chamados à festa e à alegria porque, como dizia o pai misericordioso (Lc 15,32), é preciso festejar e alegrar-nos, porque estávamos mortos e voltamos a viver, estávamos perdidos e fomos encontrados.

Pe. Flávio Cavalca de Castro, C.Ss.R.

Folheto litúrgico Deus Conosco - Ed.Santuário (31/03/2019)

 

 

Oração da Comunidade

Ó Pai, dignai-vos acolher os clamores de vossos filhos e filhas, que confiantes se aproximam de vós para buscar vosso auxílio e proteção. Ouvi-nos.

 

1. Fortalecei vossa Igreja em sua missão, para que desperte vosso povo para o acolhimento e a reconciliação entre irmãos, nós vos pedimos, Senhor.

- Dai-nos, Senhor, vossa paz!

 

2. Ajudai as Comunidades a viverem e fazerem a forte experiência do amor misericordioso, que reconcilia e fortalece a fraternidade, nós vos pedimos, Senhor.

- Dai-nos, Senhor, vossa paz!

 

3. Dai a coragem de vosso amor àqueles que estão distantes de vós e da Comunidade, para que voltem e se alegrem em vossa misericórdia, nós vos pedimos, Senhor.

- Dai-nos, Senhor, vossa paz!

 

4. Educai-nos todos os dias na prática do bem, do acolhimento fraterno e na disposição interior para perdoar e reconciliar-nos sempre, nós vos pedimos, Senhor.

- Dai-nos, Senhor, vossa paz!

 

5. Outras intenções...

 

Deus Pai, reconciliai-nos por vosso amor e ensinai-nos a viver sempre reconciliados com os irmãos e irmãs. Vós, que sois nosso Deus e viveis e reinais para sempre.

- Amém.

 

 

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