04/02/2018

5º Domingo do Tempo Comum

"Anunciava por toda a Galileia!"

 

 

Deus quer que tenhamos um relacionamento novo, transformador, em Jesus, vencedor do mal com a força libertadora de sua Palavra. Todo mal que escraviza é aniquilado e posto em silêncio com sua presença e sua Palavra. Ele restitui a todo ser humano a dignidade de pessoa livre. Quem experimenta essa verdade de Cristo põe-se a serviço do Reino. Eis a Boa Notícia para nós hoje: Jesus andava por toda a Galileia anunciando sua Palavra libertadora e redentora.

 

 

Liturgia da Palavra - Deus nos fala

Hoje, tal como ontem, quem se deixa tocar pela Palavra do Senhor torna-se seu servidor. Em cada dia nos é dada a oportunidade de sermos verdadeiros servidores do Reino. Se a Palavra ressoa em nós, tornamo-nos semelhantes ao Cristo servindo uns aos outros.  

 

 

1ª Leitura - Jó 7,1-4.6-7

Leitura do Livro de Jó:

Jó disse: "Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário?

Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.

Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança.

Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!"

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Salmo Responsorial - Sl 146

Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.

 

Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom, cantai ao nosso Deus, porque é suave: ele é digno de louvor, ele o merece! O Senhor reconstruiu Jerusalém, e os dispersos de Israel juntou de novo.

 

Ele conforta os corações despedaçados, ele enfaixa suas feridas e as cura; fixa o número de todas as estrelas e chama a cada uma por seu nome.

 

É grande e onipotente o nosso Deus, seu saber não tem medida nem limites. O Senhor Deus é o amparo dos humildes, mas dobra até o chão os que são ímpios. 

 

 

2ª Leitura - 1Cor 9,16-19.22-23

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho!

Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, afim de ganhar o maior número possível.

Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Evangelho - Mc 1,29-39

Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por Marcos:

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André.

A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus.

E ele se aproximou, segurou a sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.

À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa.

Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.

De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.

Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: "Todos estão te procurando".

Jesus respondeu: "Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim".

E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Reflexão

As leituras do domingo de hoje querem ser um alento para quem vive numa situação de angústia, de tristeza ou de doença. Na primeira leitura, o grito de Jó é o grito das pessoas que arrastam suas vidas em dores e sofrimentos. O tempo não passa para os aflitos e desesperançados, para os enfermos e acamados. Onde está a esperança das pessoas angustiadas?

No Salmo de Meditação cantamos a certeza de que Deus é quem sustenta e fortalece o pobre e o aflito. Essa certeza de fé está na raiz das ações de Jesus. No Evangelho de hoje vemos Jesus sair da sinagoga e entrar na casa de Simão Pedro, junto com seus discípulos. Eis a mensagem muito atual dessa passagem do Evangelho. Jesus nos ensina a sair do espaço da religião oficial e ir ao encontro de quem precisa, entrar em suas casas, participar da vida das pessoas. A visita de Jesus revela a presença de Deus na casa e na vida das pessoas. Essa é a nossa missão. Temos que ser uma Igreja em saída, como pede o Papa Francisco.

Mas nem tudo está bem na casa de Pedro. A sogra de Pedro está acamada, com febre. Jesus vai até onde ela está. Ele não apenas entra na casa, mas entra nos locais mais íntimos da vida familiar. Jesus se abaixa até ela, segura-a pelas mãos e a ajuda a se levantar. Uma vez recuperada, a sogra de Pedro se coloca a serviço, não apenas de Jesus, mas de todos os discípulos. Essa maneira com que Jesus acolhe e atende os pobres faz com que muita gente vá em busca dele a ponto de "a cidade inteira se reunir na frente da sua casa". Eles levam os doentes e os possessos pedindo a Jesus cura e consolo.

Duas atitudes de Jesus nos ensinam muito sobre como viver o Evangelho. Jesus sabe que ele é instrumento da vontade do Pai. Por isso, ele se retira para rezar no silêncio e na calma. Ele foge de qualquer tentação de uma popularidade que pudesse lhe trazer fama e fortuna. O serviço aos irmãos é gratuito e, como diz Paulo aos Coríntios, devemos abrir mão dos direitos que a pregação do Evangelho nos confere. A gratuidade é uma prova da autenticidade.

Muitas de nossas casas são como a casa de Pedro. Muitos de nossos irmãos e irmãs não participam da comunidade devido às doenças e enfermidades. Assim como Jesus entrou na casa de Simão, também nós devemos ir ao encontro das pessoas doentes em suas casas, levando uma mensagem, um apoio, um carinho. Como Jesus, devemos ser um sinal da paz de Deus para essas pessoas angustiadas. 

Francisco Orofino e Frei Carlos Mesters  

Este texto faz parte do folheto litúrgico deste domingo - Deus Conosco - Ed. Santuário.

 

 

 

   

 

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