27/12/2020

Sagrada Família: Jesus, Maria e José

 

 

   

 

 

Estamos vivendo o Tempo Litúrgico do Natal e vamos hoje relembrar que o Pai escolheu uma família, a Família de Nazaré, para seu Filho Jesus. Maria e José cumprem perfeitamente o desígnio divino e acolhem Jesus , o Filho do eteno Pai. Nessa família de Nazaré nasce a inspiração para que vivamos hoje de acordo com a vontade divina, fazendo de nossa casa, de nossa família, um lugar de paz, de encontro e de esperança. Maria e José assumiram a missão de Jesus e foram fiéis a Deus, enfrentando as contradições e dificuldades da vida. 

  

 

Liturgia da Palavra - Deus nos fala

Deus é a Aliança de amor indissolúvel. Maria e José compreenderam esse desígnio divino e acolheram, sem reservas, o que Deus lhes preparara.

 

 

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17a

Leitura do Livro do Eclesiástico:

Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe.

Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe.

Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Salmo Responsorial - Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

 

Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, e tudo irá bem!

 

A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

 

Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.  

 

 

2ª Leitura - Cl 3,12-21

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses:

Irmãos: Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um  tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição.

Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos.

Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças.

Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai.

Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem. 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus!

 

 

Evangelho - Lc 2,22-40

Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por Lucas:

Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. Conforme está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor". Foram também oferecer o sacrifício ― um par de rolas ou dois pombinhos ― como está ordenado na Lei do Senhor. Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.

Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: "Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel".

O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: "Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma".

Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

- Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

 

Reflexão

A Sagrada Família, Jesus, Maria e José, celebrada no contexto do Natal do Senhor, reafirma mais uma vez o caráter da humanidade de Deus que se encarnou e, como os demais seres humanos, nasceu e viveu no seio de uma família. Para além de sua teologia própria, esta celebração tem muito a nos dizer hoje, especialmente em um contexto em que a vida familiar passa por um momento muito conturbado e muitas famílias vivem dilaceradas por causa de tantos fatores, entre eles a falta de diálogo, violência, crise no trabalho, drogas, falta de fé, crise nas relações e a intolerância ao outro. As leituras de hoje merecem ser retomadas e rezadas em família, pois trazem uma verdadeira lição para o convívio humano e para as relações fraternas: "amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição" (Cl 3,14).

O Evangelho narra a apresentação que Maria e José fazem do Menino no templo. Como praticantes, vão cumprir os rituais religiosos prescritos pela lei judaica e agradecer a Deus por tudo que realizou em suas vidas. Simeão deslumbra-se ao ver Jesus porque pode ver com seus próprios olhos a salvação na figura terna do menino, que será sinal de contradição e glória para Israel (v.29ss). A profetiza Ana coloca-se em atitude de louvor a Deus e de anúncio ao "falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém" (v. 38). Continua o texto afirmando que o menino crescia, tornava-se forte e cheio de sabedoria e de graça (v. 40).

Maria e José põem Deus como o centro de suas vidas e como pais cuidam da educação do menino Jesus. Muitas vezes, estes dois elementos faltam nos lares cristãos atualmente. Não há o cultivo de uma vida oracional e espiritual em casa e os pais delegam somente à escola, à Igreja e ao Estado a educação de seus filhos, eximindo-se de tal responsabilidade. A educação que os filhos recebem no seio familiar é o único tesouro que ninguém lhes pode roubar e nem a ferrugem corroer. É a maior herança que os pais podem deixar a seus filhos.

A bela lição que Paulo deixa é muito propícia nesse contexto de relações humanas e de convívio familiar: as esposas serem solícitas aos maridos; os maridos amá-las; os filhos serem obedientes aos pais e os pais não intimidarem os filhos (Cl 3,18-21). São regras aparentemente simples, mas muito exigentes. Eis aí alguns passos para que esse santuário escolhido e amado por Deus, a família, continue subsistindo às crises de nossa sociedade. 

Pe. Rogério Gomes, C.Ss.R.

Folheto litúrgico Deus Conosco - Ed.Santuário (27/12/2020)

 

 

Preces da Comunidade

Senhor Deus, como Maria e José vos entregaram no Templo a oferta dos pobres, vimos humildemente junto de vós e clamamos por nossas necessidades, rezando:

- Guardai-nos, Senhor, e santificai-nos!

 

1. Fazei de vossa Igreja uma verdadeira família, viva e atuante, comprometida com a verdade de Cristo e os valores do Reino, nós vos clamamos, Senhor.

- Guardai-nos, Senhor, e santificai-nos!

 

2. Confirmai nossas Comunidades na vivência da fé e no compromisso da caridade e da justiça, e que elas sejam uma verdadeira família, nós vos clamamos, Senhor.

- Guardai-nos, Senhor, e santificai-nos!

 

3. Guardai os pais, os filhos, as crianças, os jovens e idosos na força de vossa misericórdia e de vossa bondade, e assim todos sejam felizes, nós vos clamamos, Senhor.

- Guardai-nos, Senhor, e santificai-nos!

 

4. Ajudai-nos a viver com dignidade nossa vocação familiar, e que sejamos acolhedores das famílias que passam por dificuldade, nós vos clamamos, Senhor.

- Guardai-nos, Senhor, e santificai-nos!

 

5. Outras intenções...

 

Deus de amor e de misericórdia acolhei-nos juntamente com nossas súplicas, transformai e santificai nossas famílias, a exemplo da Sagrada Família. Por Cristo, nosso Senhor.

- Amém.

 

 

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